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#QuemPensa é Zita Moura: “The Church Dyed Black”

#QuemPensa é Zita Moura: “The Church Dyed Black”

Uma antevisão do segundo EP de Spiralist, carregado de raiva e revolta.


Spiralist já é nome de trazer por casa para quem acompanha a CVLTO. Poeta, músico, produtor, homem dos sete ofícios e mais alguns.

Lança por estes dias o seu segundo EP em nome próprio e com o selo da Microfome – “The Church Dyed Black”.

Fotografia por Mestria.

Num claro processo de amadurecimento da sua sonoridade e do tipo de carga que procura nos seus sons, Bruno Costa tem vindo a mostrar que os processos criativos não são estanques.

Já nos tem habituado a poesia altamente reflexiva, com o que publica semanalmente na CVLTO, e “The Church Dyed Black” é prova maior dos processos de crítica e reflexão aos quais se dedica.

A faixa que dá título ao EP é uma violenta denúncia das práticas e encobrimentos da Igreja Católica, no que a casos de abuso de crianças diz respeito. Sendo que não é novidade que estes brutais episódios ocorram dentro das paredes dessa santíssima instituição, verdade é que muitas vezes só não caem em esquecimento (tão benéfico para a Igreja) porque artistas como Spiralist recuperam as histórias e denuciam-nas.

Profane, corrupt, depraved, twisted feasts
Get down on your knees
To appease these beasts, posed as priests
Return for more every Sunday

The Church Dyed Black” denuncia as evidentes influências black metal na escola de Spiralist, mas também tem qualquer coisa muito de nicho na forma como Bruno constrói as vozes – nomeadamente de neocrust russo, por rebuscado que possa parecer.

É uma faixa longa e mutável, que até a Nine Inch Nails vai beber influência.

Com uma letra tão brutal quanto a voz e o instrumental, é de facto prova maior do crescimento artístico de Spiralist.

A segunda faixa deste EP é um remix da faixa-título do álbum de estreia de Bruno Costa, “Nihilus“, feito por Ricardo Remédio, integrante da icónica banda portuguesa de doom metal LÖBO. “Nihilus” que, por sua vez, era um tipo de sonoridade mais próxima do black metal mais obscuro, de gravação low-fi, em si mesmo imbuído de uma mística atormentada.

A interpretação que Remédio faz desta faixa leva-a para um cenário mais apoteótico e menos apocalíptico, substancialmente mais lenta e com uma dimensão astral.

The Church Dyed Black” sai oficialmente a 20 de Setembro, na base do “pay-what-you-want”. Certo é que são artistas multifacetados como Spiralist que devem de facto ser apoiados, e esse “pay-what-you-want” deve reflectir-se também no apoio monetário que lhes facultamos.

Enquanto não podem desligar as luzes do quarto e pôr as colunas a tremer de fúria com estas duas faixas, podem ir aguçando o apetite com a poesia – ora ácida, ora cáustica, ora épica, ora satírica – de Bruno Costa, disponível semanalmente nesta nossa plataforma.