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#QuemPensa é Luís Masquete:  Faixa a faixa de “Before the sun goes down” dos Fuzzil

#QuemPensa é Luís Masquete: Faixa a faixa de “Before the sun goes down” dos Fuzzil

Num mundo instável, facilmente corrompido e cada vez mais gentrificado, a forma como interagimos ou elaboramos opiniões é o rascunho d’um complexo labirinto pantanoso onde não sabemos a que galhos nos havemos de amarrar. 

Nunca tivemos tantas bandas nem tantas “zines” e/ou demais plataformas que ajudem a mostrar o que os teus amigos fazem na garagem. Isto é diferente de afirmar que as garagens estão efectivamente mais próximas dos holofotes do público. 

Lançaste um disco? 

Óptimo. 

Bom para ti e saúde para os teus. 

É que com tanta info a nadar desde o “underground” aos círculos mais amplos do público, a imprensa é cada vez menos consequente numa sociedade exausta – deprimida, diga-se – e derrotada pela crítica fácil e pelo enxovalhamento público. 

Daí que teres uma banda, vires aqui à “terrinha” e mostrares que fibra te deu boleia até ao palco é sempre a melhor forma de te dares a conhecer e não aquela “review” onde te dizem que estiveste bem, 

“Força… continua.”

É o mundo que temos e não estamos aqui para combater, pelo menos em campo aberto. 

Decidimos ceder ao “trollismo” ao mesmo tempo que reivindicamos os holofotes para “Before the Sun Goes Down”, disco de estreia dos Fuzzil que nos traz uma fórmula descomplexada de dançar o “roquenrole” e mesclar influências que vão desde os 60’s aos…

Esperem. 

Nada disto interessa, certo?

Curtimos o disco e não podemos dar-nos ao luxo de o abordar com a lábia comum e plebeia que poderia caber na silhueta de outra rockalhada qualquer. 

Decidimos partir para o insulto, galgado a nu neste “faixa a faixa” onde quaisquer semelhanças com a realidade são bons sinais de clarividência por parte d@ leitor(a) e d’um profundo conhecimento musical de parte do infractor. 

Obrigado aos Fuzzil e ao rock por este disco. 

Pedimos desculpas pessoalmente nos próximos dias 13 e 14 de Dezembro, no Rockstar (Braga) e no 20º aniversário da NAAM (Barroselas), respectivamnte, cujas paredes irão tremer com a potência de cada uma destas malhas.

“Potência”, salvo seja. 

 

Daylight

 

O começo d’uma viagem, tal como o amor, lembra-nos constantemente aquele pote de ouro escoltado por duendes no berço dos arco-íris. 

Infelizmente tudo não passa de uma ilusão de óptica, em que o arco-íris revela-se uma via rápida de três faixas coloridas em direcção ao abismo e uma progressão de acordes de lembrar a progressão de namoradas que deram de frosques. 

Mas vá, terão sempre os amigos – como quem diz, ‘as backing vocals’. 

 

Mystery

 

Okay.
Não temos receios em proclamar “Mystery” como um dos hinos deste disco. 

A canção saiu à rua com aquela mini-saia típica de “single”: altamente aprumada, algures entre o “sexy” e o “beto” com riffs que nos lembram ‘flirts’ de filme com lábios em primeiro plano e o “slow-motion” indispensável. 

Um óptimo exemplar do “stadium rock” onde partem a loiça toda, mesmo que não seja porcelana nem Vista Alegre. 

É mesmo aquele talher de apartamento de estudantes que dobra ao mínimo contacto com o bife bem passado. 

Vinho de pacote, né caloir@? 

Enfim, uma canção onde nos usam – e abusam – p’ra expressar a sua insatisfação com a adulthood e as saudades daquela idade onde compôr uma malha destas era de real valor. 

Tal a “bag-in-box” do Pingo Doce. 

 

I Want It

 

Inicialmente, esta faixa lembra-nos um conjunto de patinhos que não domina o acto da locomoção e saltitam p’ra facilitar o processo de não caírem. 

Com o tempo ganham aquele ímpeto que lhes cega o ego e lhes repõe a confiança, dando-lhes a impressão de que, um dia, tornar-se-ão em cisnes voluptuosos com o destino nas asas. 

Mas tal como nos diz a Wikipédia: “Cisnes são aves aquáticas da subfamília Anserinae, que inclui também… os Gansos. 

E foi assim que a vida rapidamente lhes pôs as patinhas no chão e os nossos ouvidos em mais um refrão típico de anúncio Vodafone em 2006. 

 

Dream Parade

Estão aquele uísque rasca que a cada trago te faz acender um cigarro só de o encostar na boca? 

 

Psycho Minds

 

Dizem que os ensaios dos Beatles tinham uma duração média de quatro horas: três a enfrascar tudo e mais alguma coisa e uma com real proveito musical. 

Não sabemos que exemplo é que isto dá aos mais novos, mas cheira-nos que os Fuzzil passam três horas a enfrascar Beatles e uma a pensar no que é o jantar.  

Algo que após ouvirmos os 7 minutos desta faixa nos leva a perguntar: o que é o jantar mesmo? 

 

Before The Sun Goes Down

 

A canção mais barulhenta do disco fala-nos sobre dormir à sombra da bananeira, ou pelo menos foi isso que percebemos antes de adormecer.

«A ato de se espreguiçar é uma necessidade do corpo humano. Mesmo que você não queira, os músculos vão pedir por isso em determinado momento. Seja dormindo, praticando exercícios, durante o trabalho ou ao acordar, você deve se espreguiçar de vez enquanto. Saiba todos os benefícios desse ato aqui».

 

Shadow of the Sun

 

Estão a ver aquela sensação de repetição, quando parece que estamos a viver algo extremamente semelhante a uma ocorrência passada? 

Não, não é nada dessa merda do “deja vu”. 

Chama-se Black Sabbath, e estamos fartos de sentir isso em bandas de rock. 

 

See the Light

 

Estamos seriamente a divertir-nos com este “roast”, mas com esta faixa não temos mesmo talento para difamar. 

Aquele “pré-refrão” todo prog-rock põe os pentelhos nesta rockalhada que tinha tudo para não bazar da adolescência, até que – finalmente – “viu uma luz”.

Ou um clitóris pela primeira vez. 

 

Friends

 

Depois da “Mistery” esta é, sem dúvida”,  a indumentária mais decotada do disco. 

É nesta que nos tornam a dar razões para assobiar, quer seja para o lado ou no refrão, ao mesmo tempo que lembram os amigos… aqueles que estão sempre aqui e não no link que apareceu nos recomendados do Youtube. 

Aqueles mesmo verdadeiros, ‘tás a ver? 

Eles adoram os amigos e acharam que mereciam um ‘single’ digno das rádios nacionais, para que todo o país saiba da importância das amizades deles mesmo que o país nem o nome da banda saiba pronunciar. 

Mas bom, também vos adoramos rapazes. 

 

Fuzzy Dream 

 

 

O ananás está para a pizza como a distorção para os Arctic Monkeys: não combinam nada bem e mesmo assim não precisam de se esforçar tanto para estar no menu principal (do FIFA). 

Não vemos a vossa base de fãs adolescente a aprender a abanar a cabeça aos 15 anos e não é com “Are U Mine?” no cadastro que os roqueiros vão esquecer quem vocês são, dudes.

«Well we think “Humbug” is kind of a pretty heavy record, you know?», says Alex Turner. 

«Yeah, I know. But it tastes like ananás na pizza». 

Nightsky 

 

A melhor faixa do disco.

photoshoot da banda fuzzil pelo downonjubileestreet

Texto de Luís Dixe Masquete

Fotografias de Marcelo Baptista – Down on Jubilee Street