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#QuemOuve é Maria Telheiro

À luz do dia são estas algumas das minhas preferências musicais. Principalmente para deixar o pessoal confuso. Isto, porque quem (não) me conhece acha que ando sempre mal disposta. Apesar do sorriso na cara… e acha que adoro ouvir pessoas aos berros, baterias e amplificadores a serem rebentados. Eu percebo, o visual todo preto e as botas de biqueira de aço dá essa impressão.

A verdade? 

Até gosto. Mas aqui dão-me opção de escolha e vou escolher o rap, o hip-hop e o R’n’B. 

Aqui, vamos andar ao som destes mundos, e nesta playlist serão unicamente faixas interpretados por mulheres. Cada vez mais nos nichos musicais é preciso dar às intérpretes femininas o seu lugar ao sol. Ainda assim, estas são escolhas escassas para demonstrar o talento destas e de muitas outras mulheres que não estão aqui presentes.

PLAYLIST COMPLETA

NO SCRUBS – TLC (1992)

Toda a gente conhece esta música. E se não conhece, nem vale caminhar nesta terra (peço desculpa a quem se ofende facilmente), porque esta música é um clássico R’n’B. Todo o videoclip é uma mistura entre cyber-qualquer-coisa, futurismo, maquilhagem over the top, “5th element” e foi uma inspiração para muitos videoclips atuais.

“(…) I don’t want no scrub / A scrub is a guy that can’t get no love from me (…)”

 

U.N.I.T.Y. – Queen Latifah (1993)

Eu só nasci no ano seguinte, mas a verdadeira rainha já andava a debitar sobre o papel da mulher, a defendê-la e à forma como os homens viam e reagiam ao corpo feminino e a lutar pelo seu lugar como MC num mundo controlado em mais de 90% por homens.

“(…) One of ‘em felt my booty, he was nasty / I turned around red, somebody was catching the wrath (…)”

 

FA ALL Y’ALL – Da Brat (1994)

Tudo nesta música, incluindo o videoclip, grita anos 90, por isso vou só deixar aqui para não se perder no tempo.

“(…) Gotta give thanks to the funk when it’s time to pray (…)”

 

BIG BAD LADY – The Lady of Rage (1997)

Não tenho grande coisa a dizer sobre o talento deste mulherão, porque como muitas mulheres nesta lista passavam muitos MC’s dos dias de hoje a ferro. Ups. A voz crua, feita para o rap da The Lady of Rage espelham um talento nato para isto.

“(…) Makin’ you hip-hop junkies want to fly / Like eagles, my style sharp as cathedral steeples (…)”

 

LET ME BLOW YA MIND – Eve ft. Gwen Stefani (2001)

Provavelmente esta música foi das primeiras que ouvi com atenção – tinha 7 anos, easy – que me fez virar o chip para este mundo. Claramente existiram músicas melhores, músicas piores, intérpretes melhores e intérpretes piores, mas esta foi a música. 

E não vou mentir…. foi aqui que fui buscar o desastre que o meu cabelo era na época da Soares dos Reis. 

“(…) They wanna bank up, crank up, makes me dizzy / Shank up, haters wanna come after me (…)”

 

KARMA – Alicia Keys (2003)

Cada vez mais me apercebo que o karma de facto “is a bitch” para a maior parte das pessoas. Para não desanimar, deixo aqui uma das minhas músicas favoritas enquanto adolescente.

“(…) What goes around, comes around / What goes up, must come down (…)”

 

CHING-A-LING – Missy Elliott (2008)

Terão de me desculpar, mas sinceramente uma das minhas partes favoritas  deste vídeo são os efeitos do Windows Music Player. Além desta mulher ser uma das minhas artistas favoritas de sempre, foi ela que fez com que os meus pais só tivessem uma opção de canal em dois momentos do dia; a MTV (quando ainda era um canal de música). Todos os dias à mesma hora passavam este som.

Além de que esta música fez-me crer que dançava esta coreografia na perfeição….

“(…) A hard head make a soft ass, but a hard dick make the sex last / I jump in pools and make a big splash (…)”

 

FEIAS, PORCAS E MÁS – Capicua, M7, Tamin, Eva (2013)

Esta música tem tudo o que um rap português deveria de ter: verdades, palavrões e rimas inteligentes (peço desculpa a quem não concorda #sqn). Além de que o sotaque nortenho – que se sente em algumas das intérpretes – tem outro encanto na lírica e é levado muito mais a sério.

“(…) Não sou hiperescolarizada para fazer Rap, muito menos sobrevalorizada por ser mulher, pois não fui eu que fugi ao estereótipo , apenas continuo grande demais para o teu rótulo. (…)”

 

HARD TO CHOOSE – Rapsody (2014)

A carreira a solo desta rapper já vem desde 2008, mas se perguntares aos “verdadeiros” amantes do hip&hop e rap não fazem a mínima de quem ela é. É só uma das mais respeitadas rappers da indústria. Mesmo que não a conheças. Nesta música apresenta todas as decisões difíceis que tem de fazer para sobreviver, mesmo que tenha que escolher (como ela diz) entre a cultura e os milhões.

“(…) I’m still that rapper that your favorite rapper scared to rap after (…)”

 

SOBER – Mahalia (2017)

Esta música para mim foi daquelas que parece que conhecemos durante toda a nossa vida, mas só “agora” veio a público. Mahalia já fez duetos com outra das artistas da lista, Little Simz (ouve aqui), mas para mim esta música, principalmente no “A Colors Show” é uma das melhores dela. 

Escusado será dizer que decorei toda a letra em menos de 2 dias.

“(…) Now that I am sober / I take back what I said / I’m sittin’ with this love hangover / And boy it’s hurtin’ my head (…)”

 

VENOM – Little Simz (2019)

Numa época em que a sanidade mental social é bastante duvidosa, esta música até pode ser adaptável às várias situações atuais. 

“(…) They will never wanna admit I’m the best here / For the mere fact that I’ve got ovaries (…)”

No entanto, está aqui pela admiração que tenho por esta rapper londrina. O sotaque dela faz com que o rapp saia de casa e vá encontrar-se com os amigos para o chá das 5. As notas iniciais transportam-nos para um possível thriller e os pratos que cruzam a música durante todos os minutos fazem com que tenhamos sempre um som mais “misterioso” para acompanhar toda esta letra. “Venom” faz parte do álbum Grey Area e volta a demonstrar o lado mais sombrio de Little Simz (uma das principais razões pelas quais fiquei tão intrigada com todos os sons dela pela primeira vez). 

 

CHONG KWONG – Chong Kwong (2019)

A fazer pouco mais de 1 ano que esta música foi lançada, Chong Kwong é uma das artistas atuais que mais público divide, porque ou gostas ou odeias. Sou sincera; não sou completamente fã de tudo o que lançou até agora. Mas que a mulher tem ritmo, e uma mistura explosiva de etnias, tem. 

O videoclip, filmado no Museu do Oriente, dá um toque oriental fantástico a toda a música.

“(…) Eu não sou de aço, eu sou de bambu / Sa foda o teu abraço, meu braço é kung fu (…)”

 

Texto e fotografia de Maria Telheiro

flor laranja, fotografia macro