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#QuemOuve é Bunny O’Williams

#QuemOuve é Bunny O’Williams

Acredito que existe uma música para cada momento da vida. Uma banda sonora para cada sensação, cheiro, gargalhada ou lágrima. 

A música não vem só em ritmos e tons mas em cores e imagens! Faz parte de tudo o que fui, sou e serei, como um amigo que nunca abandona.  

A CVLTO desafiou-me a falar de algumas das minhas influências musicais e eu adoro falar! E escrever! Portanto aqui seguem algumas das canções que ajudaram a erguer os pilares da minha (de)formação musical e pessoal.

 

Playlist completa AQUI

 

BLACK SABBATH – CHANGES

Esta canção representa aquele momento “WOW” no qual descobri algo tão incrivelmente espectacular que quase que esqueci tudo o que ouvi até então. 

“Descobri” como quem quer dizer: Pedi ao meu pai um cd de Ace Of Base e ele riu-se na minha cara. Mais tarde, deu-me um cd de Black Sabbath. Obrigada pai!

Assim que ouvi esta música pela primeira vez, entrei num loop constante do qual não consegui sair. Até hoje. Sendo esta paixão atiçada pela nova (incrível) versão do Charles Bradley na qual ele canta como se doesse… e dói. Esta canção dói. E ajudou-me muito na transição da adolescência para a vida adulta. “Going through changes” não é fácil, nunca é para ninguém. Mas os Sabbath dão-te aquele abraço que precisas para aceitar essas mudanças, com a sensação de que não estás sozinho neste mundo. 

É difícil escolher uma banda favorita mas… Black Sabbath! 

 

TUBARÕES – CRETCHEU

Enquanto escolhia as músicas para esta apresentação, reparei que não tinha nenhuma GRANDE influência de música portuguesa no meu repertório. É fácil de entender o porquê. Os meus pais são de origem africana e na nossa casa ouvia-se muito mais música angolana e cabo verdiana do que portuguesa! Só “descobri” o fado quando fui viver para a Mouraria e sim, apaixonei-me.

 Mas isso foi mais tarde, foi a Bunny que descobriu… estamos aqui a falar na origem de tudo, dos primórdios, quando a Inês era só a Inesinha. 

Cretcheu faz-me dançar, faz-me sorrir, faz-me pensar na alegria que é ter uma família que gosta de ter a casa cheia e na razão pela qual EU adoro ter uma mesa cheia de gente e de cozinhar para todos. Os meus amigos, no gozo, chamam-me MÃE ÁFRICA! Eu gosto. 

Depois existe toda a importância destas sonoridades encaloradas nas minhas escolhas musicais enquanto DJ. Costumo dizer que ando numa procura constante por sons que estejam entre SABBATH e BONGA. Bandas como Titanic (ouvir tema MACUMBA), Goat, Flower Travelling Band, Dr. John e outros tantos conseguem o quase inatingível mix perfeito entre estes dois mundos que fazem todo o sentido JUNTOS. 

criança sentada no chão, com prateleira de vinis atrás

 

KATE BUSH – WUTHERING HEIGHTS

A rainha! O que seria de nós, comuns mortais, se a Kate não nos tivesse feito acreditar no sonho! De tenra idade que tenho esta imagem do vestido branco da Kate a voar pelo ecrã do televisor gigante do meu avô. Televisor que dava choques se esfregássemos os pés na alcatifa e fizéssemos uma corrente humana com um dedo na tv e outro na vítima. 

Kate é magia feminina, é poder, é acreditar num mundo de fantasia, mas é também a memória de torturar o primo mais novo e das meias brancas do meu avô sentado no cadeirão de baloiço e do cheiro dele, um mix de whisky e óleo para carros; o melhor cheiro do mundo. O meu avô dava-me pistachios e vinho com gasosa. São esses os sabores que me vêm à boca quando oiço a Wuthering Heights… e o cheiro… que saudades, avô. 

A infuência da Kate Bush em tudo o que oiço é gritante. Continuo à procura daquela magia… e sim, ainda existe! Em artistas como a Anna Von Hauwsswolff, Chelsea Wolfe, Aldous Harding, Sharon Van Etten, Jex Thoth e tantas outras. Espero que estas artistas influenciem estas novas gerações da mesma forma que a Kate me influenciou. Acredito que haverá magia no mundo enquanto isso continuar a acontecer.

fotografia a preto e branco, dois conjunto a dançar, compostos por uma mulher e um homem, um está mais à frente que outro

 

MICHAEL BOLTON – SAID I LOVED YOU BUT I LIED

A minha rica mãezinha também teve a sua influência na minha (de)formação músical. De Michael Bolton a Roberto Carlos a distância parece muita mas não é. Sex symbols por excelência de uma era na qual os homens – HOMENS – faziam odes ao romance, sem merdas. Faziam o amor parecer simples.
“Disse que te amava mas menti, pois isto é mais do que amor o que eu sinto, cá por dentro”
Porra!
E tudo isto em cima de um penhasco, cabelos ao vento, aves de rapina, ganga com ganga, o que é que podemos querer mais?! Não sei, mãe. Mas sei que o pai tem medo de alturas, tem uma cabeleira que não abana nem com um tornado mas gosta de passarinhos e de ganga, portanto não estás assim tão mal servida. 

Os meus pais ainda dançam agarradinhos. Numa destas noites, pus um “Borbujas de Amor” a rodar para eles. Fiquei ali a observá-los de coração cheio, grata por conseguir ainda alimentar-me de lindas histórias de amor e serenatas em penhascos, em pleno mundo de cépticos. E não há um único DJSet meu que não tenha uma boa dose de amor e power ballads. Obrigada mãe! 

mulher com cabelo escuro e com vinil a tapar o torço

ROBERT MILES – CHILDREN

Gosto de misturar o rock clássico com música electrónica. Acredito que ambos podem coexistir. Estive anos e anos a tentar lembrar-me do nome da música do meu sarau de ginástica! Cantava para os meus amigos: “Mas vocês não se lembram daquela que era assim TURURURURUUUUUM TIU TIU TIU TIU TIU TIU TURURU…” e durante anos, nada. Até que um dia, na Suécia, alguém me disse como se não fosse nada: “Oh, that’s Children, from Robert Miles.” 

AAAAAAAAH!!! Ouvi umas 200 vezes de seguida! Lembrei-me de todos os mortais encarpados, do cheiro dos colchões da ginástica, dos trampolins a desafiarem o meu medo de alturas, de estar nervosa por saber que o crush ia lá estar! Adoro esta música! E sim, um DJSet pode ir de A a Z, de forma progressiva ou de rompante, tanto faz. Como diz o DJ A Boy Named Sue que tantas vezes cito: “Não existem guilty pleasures, tudo é prazer”.   

 

MUSE – PLUG IN BABY

Ao crescer, no quarto ao lado ouvia: Faith no More, Silverchair, The Offspring, Green Day, Nirvana, Sepultura, Pantera e toda a uma série de clássicos de irmão mais velho. Mas o que nos fez começar a ir a concertos juntos foram os Muse.

Primeiro na Aula Magna, lugares sentados, pouca gente… melhor concerto que vi deles! Já vamos em 9 concertos juntos, entretanto deixei de ir porque já não são o que foram mas o “mormão” ainda vai e agora leva a minha sobrinha. A Mariana tem 12 anos e quando ela era bebé eu adormecia-a a cantar musiquetas de Muse. Gosta de rock e fica com os casacos da tia! Está no bom caminho. 

Quando aos Muse – a banda que ou detestas ou amas – tenho a dizer que poucas bandas me conseguiram tantos momentos de êxtase como eles. Nunca os trouxe para um DJSet meu, mas ainda são boa companhia para limpar a casa com a esfregona como microfone. 

 

ANATHEMA – SILENT ENIGMA

A adolescente atormentada: Quem nunca… 

fotografia tipo passe de mulher

JULEE CRUISE / ANGELO BADALAMENTI – Falling (Twin Peaks Soundtrack)

Mais assustador do que “Os Amigos de Gaspar” ou do que os “Thunderbirds”, só mesmo aquela intro do Twin Peaks. Ou o tema de abertura do Oceano Pacífico, vá! 

Obscuro, soturno, negro, arrepiante, avassalador, apaixonante! Eterna influência e fonte de inspiração para tudo o que faço, seja pintura, design ou música. 

Este tema faz-me encontrar luz nas trevas, felicidade na tristeza, beleza na depressão e capacidade para dançar até nos momentos de maior tristeza. É uma boa introdução para a realidade agridoce que é a vida.   

Texto por Bunny O’Williams