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#QuemDeclama são Pregos no Caixão: Gato Negro

#QuemDeclama são Pregos no Caixão: Gato Negro

O gato negro é bastardo

E cheio de golpes

Olha-me líquido

Caminha-me etílico

Galopando-me a carne

Mandrágora sementeira daquele homem enforcado

Que depois de morto não vai

Fica

 

Silencioso.

Fica

 

Não sei porque espera

Não sei porque fica

 

Sibila nas sombras seis pragas que eu não oiço

À mesa de três pernas com um copo de tinto

Olha-me de outra vida que já não é a minha

Acena-me tão subtilmente que só eu saberia

Dedica-me baladas vazias

Enquanto cheira dona alheia

Brinca com o copo vazio

Sorriso travesso e tingido

Acho que ele gosta,

disto.

 

Eles não querem bruxas, querem donas

E eu não sou dona

Sou bruxa

Muito menos a dona para este gato negro

Edgar Degas – L’Absinthe