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#QuemVê é Meru Freire

#QuemVê é Meru Freire

Desde que comecei a ter uma noção da realidade que soube que a olhava e a vivia de maneira diferente. Não sei até hoje o propósito da minha existência, mas justifico-a, quando posso, através da arte. Fiz teatro (amador e académico), sempre estive envolvida com Música e não esqueci nunca o poder de pintar, de ler e escrever sempre que não havia solução para o espírito. Estudei também Comunicação Audiovisual e Multimédia, que para além de outros tantos saberes, fundou em mim a junção da sétima arte: o cinema.

A fotografia não chegou depois de tudo isto. Sempre cá esteve desde o primeiro momento, analógica ou digital. Ela acompanha-me e vai sofrendo um aperfeiçoamento – não em prol de um objectivo exacto e finito – mas de mim mesma enquanto ser; esse que é abstracto e disforme.

Sentia que ia andando como errante forasteira, até me ver na encruzilhada dos três caminhos qual Rei Édipo, e encontrar a minha Musa: Maria Rocha (- e deixei aqui de ser só um corpo, que derivava). Foi nela e com ela que que senti uma libertação completa. Hoje e por tudo isto, não me considero fotógrafa mas criadora de imagens através da arte de escrever com luz – “foto”, grego phos, “luz” ; grafia graphis, “escrever”, “desenhar” – o que é abstracto e invisível.

Esta mistura do ser e de saberes culmina nos nossos momentos de maior alienação, como que um eclipse lunar, que nos escolta para fora desta matriz e assim surgindo o nosso “Ghost”.

Texto e Imagens por Meru Freire