Menú // Pesquisa
#QuemPensa é Luís Dixe Masquete: Qual é a melhor venue para casar?

#QuemPensa é Luís Dixe Masquete: Qual é a melhor venue para casar?

Entrar "a gosto" é mais do que um privilégio patriarcal declamado na voz de Quim Barreiros. 


Nem apenas uma ode nostálgica às batalhas de núpcias, onde o macho, viril e guerreiro, enfrenta o alegado vilão e boss de último nível: o acanhado pipi de uma virgem.

Mas como a História ’tá feita, e como a falta de um torpedo entre as pernas de um Rei acabou com a presença de uma guilhotina nas mãos da plebe, aprendamos com o Passado e com os Maus Hábitos desta vida. 

Mas não podemos colocar as coisas deste modo.

“A gosto” é um bem demasiado precioso para o limitar à nossa virilidade.

É a nossa “Grande Muralha” … a pedra basilar da nossa civilização que, “a gosto”, é capaz de engrandecer famílias ao passo que, o inverso, é capaz de as massacrar.

“A gosto”, a Revolução Francesa nunca teria acontecido, o casamento de Luís XVI teria sido consumado mais cedo e, quiçá, o absolutismo europeu fosse adiado em anos suficientes para não termos os hábitos de hoje.

Os maus, obviamente.

Mas como a História ’tá feita, e como a falta de um torpedo entre as pernas de um Rei acabou com a presença de uma guilhotina nas mãos da plebe, aprendamos com o Passado e com os Maus Hábitos desta vida.
E em Julho as bodas são tantas que fodido é mesmo escolher o melhor dia para casar.

Porque “em nome de tod@s” nunca faltou quem erguesse uma bandeira.

“Liberté, Égalité, Fraternité” e umas toneladas de sangue “inimigo”, eis a oferenda dos revolucionários franceses à História da Humanidade.

Um vasto massacre que vitimou milhares de cidadãos e cidadãs de todas as classes e credos mas que – como toda a suruba – requereu uns preliminares e esquemas que não revelassem as reais intenções de acabarmos tod@s na mesma “forca”.

É preciso um esquema, um aquecimento… uma força maior que justifique o passo em frente, em nome da cidadania e de peito feito à oligarquia instituída.

Porque “em nome de tod@s” nunca faltou quem erguesse uma bandeira, um discurso ou um conflito, e temos que agradecer a quem o fez de modo a que tenhamos quem nos erga um festival como o Cidade Mais, um happening anual que celebra a Sustentabilidade e as formas mais eficientes de vivermos nas cidades que estão fartas de chacinas.

Desde a Agricultura Urbana ao Comércio Justo, a iniciativa reúne várias entidades que pensam o Porto de uma forma mais íntegra e que, tal como referido, propõe o imprescindível aquecimento numa Quinta-Feira “daquelas” no Maus (4 de Julho), com a mostra de alguns projectos e com DJ Daxuva a encher o dance-floor até soarem as doze badaladas que abraçam o dia inaugural do festival.

Porque se em França os jacobinos foram ampliando o terror da Guilhotina com o tempo, os Gator the Alligator entraram logo a matar.
Entre os Jardins do Palácio de Cristal e a Biblioteca Almeida Garrett, o fim de semana é colorido neste evento feito “em nome de tod@s” mas sem massacres de nenhuma índole.

Já o mesmo não podemos dizer do serão no Maus Hábitos, onde a Sexta (5 de Julho) troca o sotaque do Porto pelo de Barcelos com uma das bandas revolucionárias da mais recente fauna do rock nacional.

Porque se em França os jacobinos foram ampliando o terror da Guilhotina com o tempo, os Gator the Alligator entraram logo a matar com “Life is Boring” – EP de estreia que celebra a adolescência como os revolucionários festejavam o Rum escoado nos lábios desde o crânio burguês que lhes servia de cálice.

Um garage-rock “limpinho-limpinho” mas com a dose certa de sujidade capaz de nos prender a vista nestes miúdos que acabaram de nascer.

Ou talvez façam birra de modo a parecerem putos, mas percebe-se: quem não gostaria de mamar mais um bocadinho?

A verdade é que a vida enquanto banda lhes vai curta mas avança a bom ritmo, com a presença confirmada no Bons Sons a 9 de Agosto, depois de um ano de estreia recheado de concertos nos mais diversos tascos e trincheiras.

Mas não é de estranhar…

… tal como foi a desigualdade social a dar as mãos às parcas finanças da corte francesa e começar um conflito de dimensões abomináveis, também justificamos o relâmpago dos Gator the Alligator nas suas infâncias, rodeadas de nomes como Black Bombaim ou Glockenwise a partilharem os mesmos balcões nos tascos de Barcelos.

Mais tarde ou mais cedo, a coisa iria arrebentar.

Tal como o freio no piço de Luís XVI de França que – possivelmente – rompeu nas primeiras incursões na “sua” Maria Antonieta.

A próxima “menina bonita de Barcelos” chegaria revestida dos melhores tecidos importados da Flandres, repleta da mais cintilante bijutaria e com uns quantos discos de King Gizzard & the Lizar Wizard nos cornos.

E ainda bem.

Com 7 anos de casamento e nenhum filho, as ruas de Paris começavam a acender tochas em direcção a Versalhes e à virilidade de Sua Alteza Real.

No caso da cidade do Galo, temia-se que @s chaval@s perdessem o interesse e acendessem mais charros do que discos.
Porque os filhos pródigos tendem sempre a aparecer ou, na pior das hipóteses, teremos sempre um ou dois bastardos espalhados pelo Reino, né?

Sem freios nem piços, a Bastarda da CVLTO oferece uma tarde imersa na criação de diversas artistas.

Pois bem, o Sábado seguinte começa bem cedo para quem fizer mossa na noite de Sexta, e as meninas da CVLTO invadem o 4º andar em mais uma festança em nome e género próprio com a Bastarda da CVLTO e uma matinée feita no feminino.

É a neo-jacobinice que temos e que, na verdade, impossibilita todos estes escândalos de infertilidade ao basear tudo no (ainda) bastardo – mas principesco papel da mulher.

Sem freios nem piços, a Bastarda da CVLTO oferece – literalmente – uma tarde imersa na criação de diversas artistas, desde a fotografia à dança contemporânea, e que nos mostra como tudo é possível apenas com leoas a mandar na savana.

Ou com jubas diferentes, vá.

É que a noite, nem de propósito, traz-nos a mescla de conceitos mais paradoxal desde os justiceiros que, “em nome de tod@s”, atacam e chacinam tod@s @s que não pensem da mesma forma.

Chamemos-lhe de “paradoxo positivo” e celebremos o mundialmente aclamado beat de reggaeton.

Pela voz de Romina Bernardo, o activismo LGBT expropria o género que pariu nomes como Daddy Yanke e/ou Don Omar e cuja bandeira é mesmo empoleirar os mastros recheados de azeite e parolice.

Em estreia exclusiva em Portugal, Romina chega à Europa numa mini-digressão onde despe o seu “reggaeton LGBT” pelo Velho-Continente.

Falamos de Chocolate Remix, alter-ego da artista argentina que troca os machismos e objectivações inerentes ao estilo pela sensibilidade e prazer femininos, com o mesmo beat e melodias por detrás mas sem as meninas de rabo ao léu pela frente.

Em estreia exclusiva em Portugal, Romina chega à Europa numa mini-digressão onde despe o seu “reggaeton LGBT” pelo Velho-Continente e nos mostra outra faceta das sonoridades que nos ofereceram êxitos como “Danza Kuduro” ou “Despacito”.

Isto sim, é uma revolução!

 

 

Começando na História de França e na repercussão dos conflitos no Velho Continente, entre piços e cabeças à venda no talho, mais vale ficarmos descansados pela América do Sul.

“Mas não houve chacinas na América, é?” – questiona @ car@ leitor.
E não foram poucas, obviamente.
Mas como uma vez alguém disse: “Ao Sul o Sol acaba com as perguntas”.
No festim mais hip-friendly do mês, o 12 de Julho oferece-nos o Zouk de Claiana

E é a Sul que o Maus mantém a folia com o 3º aniversário da Cumbadélica e a celebração do mundo p’ra além do folclore europeu.

Uma rubrica que tod@s conhecemos – @s ignorantes para a Guilhotina, sff – e que reúne artistas e timbres dos 4 cantos do Planeta em noites de caipirinha, jindungo, pêra-abacate e demais exotismos, desde a 1ª vez em 2016.

No festim mais hip-friendly do mês, o 12 de Julho oferece-nos o Zouk de Claiana, na companhia de Jhon Douglas & JungleBoys que nos trazem o espelho musical do chamado “Brasil-Profundo”.

No termo da noite, Lynce (deus Lynce) comanda a pista numa de duas aparições mensais, com regresso a 26 de Julho com Arrogance Arrogance e Ócio.

Recomendamos ambas como óptimas noites para casar.

Melhor que estas, mas de perspectiva excêntrica, apenas a noite de 6 de Maio de 1770, numa das noites mais fulgurantes que o Palácio de Versalhes recebeu, com o casamento de Luís XVI e a coitada da Maria Antonieta, arquiduquesa de Austria que trespassou os Alpes para reinar em França e chatear-se na cama com o marcescível marido.

Depois de tanto trabalho de casa de modo a safar-se como Rainha de França, o inconsequente casamento não tardou a saciar as bocas tagarelas dos seus súbditos que, qual machismo de índole nacionalista, acusavam a monarca estrangeira em detrimento do Rei e a baptizaram com o cognome de “a austríaca”, talvez a redundância mais célebre da monarquia europeia.

Por cá vamos dizendo que é de Espanha que não nos chegam bons ventos nem casamentos mas, para a França jacobina, coube à Austria o papel de nação de importação funesta.

Digam tod@s: “De l’Austrie ne vient pas de bons vents ni bon marriage”.

É que de Espanha roubam-nos o Félix mas chegam-nos os FAVX, bandão de Leão e Castela (aka Madrid) cujo punk voluptuoso merecia um casamento, três divórcios, um solstício de Inverno e claro, uma noite no Maus Hábitos.

Com eles não existem monarcas, bandeiras, piços murchos ou arquiduquesas importadas... apenas a anarco-tusa em palco que os torna numa das bandas mais interessantes do panorama internacional.

A incerteza no momento de colocar um prefixo no termo ‘punk’ nunca foi, por si só, um sinal claro de qualidade… mas o timbre com que cravam a sua identidade é de uma miscigenação incrível, de fazer inveja aos colonos europeus, e que culmina num autêntico melting-pot de todas as sonoridedes pesadas.

Do grunge ao hardcore, mas sem perder aquele cancionismo pop, esta Quinta-Feira não é apenas um bom dia para casar mas uma noite para fazer o que bem te apeteça.

Olha que eles não ficarão atrás.

Com 2 EP’s editados, o 1º longa-duração sai do forno em finais de 2019 pela americana Burger Records e não temos dúvidas que, deste lado de Badajoz, seremos dos primeiros a abrir o embrulho, não fossem os FAVX um dos nomes (bem) tratados pelas primas da Pointlist.

 

Quanto a vocês não sei, mas casava.

Texto: Luís Dixe Masquete