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#OndeEstá o Kola Moka

#OndeEstá o Kola Moka

Chegados ao 2020 que marca o início da década para uns e um erro de interpretação temporal para outros, começamos o ano à conversa com um “rosto amigo”, não fosse Nuno Sina o proprietário dos neurónios que inventaram o “Kola Mokaum micro festival que junta a música, ecologia e as artes plásticas em Estarreja mas com gasolina suficiente para percorrer o país. 

Depois de um 2019 de estreia na cidade Invicta, o novo ano trouxe-lhe “Via Verde” em direcção a Lisboa à boleia da Chinfrim Discos (13 de Março), não sem antes realizar a 14ª edição do Kola Moka no passado dia 11 de Janeiro e numa casa que conhece bem: o GrETUA, em Aveiro. 

Com a ressaca (e os quilómetros) de uma noite épica a separarem o entrevistador “cvlto” e o entrevistado “mokado”, a união fez-se em espírito e amizade – que é como quem diz: no chat do facebook. 

Obviamente que “(risos)” é a tradução de  “xD”.

 

 

Depois de Estarreja – o berço deste festival – e da cidade do Porto, em 2020 levas o Kola Moka a Lisboa já depois de teres enchido o GrETUA na estreia em Aveiro. Comecemos isto com o típico “Bom ano, Sina!”

Certíssimo! Queres que desenvolva o que se passou? (risos) 

 

Já lá vamos, já lá vamos. Recuemos antes ao início da cena… em Estarreja, presumo. 

Ou quando passou da minha casa em Avanca para o Café Saramago (Estarreja) e ganhou aqui outra seriedade, vá. 

 

Sério? Não sabia que tinha começado em tua casa. Há artistas que têm os chamados “discos de quarto”, pela forma e processo com que vão compondo as canções. Tu começaste uma espécie de “festival de quarto”, é isso”? (risos) 

Isso! Tal e qual! (risos)

 

E quando começaste a pensar que poderias tornar a coisa mais “séria”?

Fui motivado por amigos envolvidos no projecto e pelo Saramago que, enquanto bar local, começou a querer apoiar o conceito.

 

E estamos a falar de quando, exactamente? 

Em 2017. Lá para Abril começamos com as festas lá por casa e em Dezembro passamos para o formato actual. 

Daí para frente fomos caminhando lentamente para abrir espaço à nova realidade cultural em Estarreja e conseguimos criar uma espécie de culto de bandas emergentes… as pessoas procuram o evento, nem sempre por quem lá vai tocar, mas porque sabem que estas bandas garantem qualidade no seu espetáculo. 

No fundo é querer mostrar que as bandas bebés, hoje em dia, rapidamente se tornam adultas e capazes de proporcionar espetáculos com a técnica e o profissionalismo que o meio exige. 

Essa foi, durante um tempo, a imagem que quisemos passar junto com algumas mensagens de consciencialização ambiental, assim ao nível da sensibilização, tás a ver ?
Desculpa, excitei-me aqui (risos). 

 

Na boa, tens razões para isso. Afinal criaste uma dinâmica “rara” em localidades como Estarreja. Para além de conseguires captar um pouco da dinâmica e do público de Aveiro aos sucessivos Kola Moka’s que foste fazendo por lá. Estas sinergias tornaram a ideia de fazer uma edição no GrETUA apenas uma questão de tempo, não achas?

Era natural, porque quando comecei a levar isto mais a sério comecei a frequentar regularmente espaços como GrETUA e de lá tirar ideias, aprender com o trabalho dos outros e, se possível, a ajudar todos os envolvidos, As condições da casa e as pessoas que nela trabalham só garantiram que este casamento fosse rápido, inevitável e com o estrondo que foi.

 

rapaz a fumar no escuro

 

Ainda para mais calhou em cima do São Gonçalinho – as celebrações da cidade. E também é importante que se criem alternativas ao que de mais “convencional” se faz por aí, sejam festividades municipais ou aquelas típicas festas académicas. 

Sim, concordo. Independentemente da data queríamos garantir que o cartaz trazia diversidade e qualidade ao público do GrETUA. Sendo uma sala habituada a espetáculos de excelência, não convinha falhar nas escolhas e nisso… temos a certeza em relação ao cartaz que apresentamos. Jogando ou não [como alternativas ao São Gonçalinho] a nosso favor, acho que o próprio público da GrETUA já tinha um certo carinho pelo Kola Moka, como se gosta daquele sobrinho traquina.

 

Um belíssimo sobrinho, de facto. Nunca querendo cair naquelas perguntas óbvias acerca da origem do nome, confesso que com “Kola Moka” ficou bastante intrigado…

Surgiu no início do conceito, com as festas lá em casa. Era uma altura em que alternamos entre o formato de concertos e jam-sessions onde, para quem não conhecesse e perguntasse o que se iria passar, a resposta mais preguiçosa era mesmo Kola Moka (risos). 

 

Fácil! A verdade é que é um nome cada vez mais consolidado. Para tal hão-de ter contribuído bandas como Slabdragger, Electric Octupus ou Gnome, projectos que trouxeste em 2019. Para 2020, saltamos para uns Earthless ou preferes continuar a trazer nomes emergentes? 

Para o futuro estamos a trabalhar numa vertente diferente, com bandas que já levam alguns anos de estrada. Mas as novas promessas são a minha eterna paixão, como sabes. 

 

Yap, e esta última edição no GrETUA foi um bom exemplo disso, com nomes emergentes como Travo ou RAKUUN a actuarem para uma sala cheia. 

Para tal também contribuiu o facto de finalmente termos um palco a medida do conceito. Nunca nos sentimos também a trabalhar como no GrETUA. 

 

Próximo objectivo, replicar a loucura do GrETUA nos Anjos 70 (Lisboa, 29 Fev)? 

Era top! (risos) Mas antes ainda temos o concerto de Chico Bernardes no Azulejo, em Ovar. Mas sem dúvida que em termos de produção, a ida aos Anjos 70 é o próximo grande desafio. Já temos os detalhes bem adiantados, na habitual temática de eco-intervenção e um cartaz multifacetado. 

 

Isto em co-produção com a malta da Chinfrim Discos, com quem também tens colaborado bastante. 

Sim, foi algo que também aconteceu de forma bastante natural. 

Começámos por trabalhar com a Bia Maria, artista da Chinfrim, para uma das nossas edições do Kola Moka e, de repente, já nos víamos a preparar uma temporada em conjunto… São já quatro bandas com selo Chinfrim a tocar nos nossos festins, e a qualidade das mesmas é surpreendente. Fizemos o mesmo com a Gig. e a Ya Ya Yeah que são algumas das promotoras com quem mais gostamos de trabalhar, não só pelo seu cardápio apetrechado de bandas mas também pela forma profissional como trabalham connosco.

 

Neste caso, e mesmo que não tenham propriamente uma “sede”, a Gig tem origem em Braga e a Ya Ya Yeah em Leiria que, embora falemos de grandes cidade, furam um pouco aquilo que é o eixo Porto-Lisboa. Vês nestes exemplos o caminho certo para um país mais descentralizado? Pelo menos no que ao underground diz respeito…

Sim, fundamentalmente isso! Vejo aqui a fórmula e os instrumentos necessários para que se acabe de vez com essa dicotomia Porto-Lisboa. 

 

banda em palco em contraste; guitarrista de joelhos

 

Mas voltando à edição na capital do Império (risos) não há nada que possas adiantar à CVLTO?

Vs, teremos os Moody Sake em estreia nacional e o resto tem de esperar. Mas serão surpresas bastante metafóricas.

 

Adoramos metáforas! 

Eu também… salvaram-me a vida. <3

banda em palco com luzes dispersas

 

Texto de Luis Dixe Masquete

Fotografias de Rita Andias