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#QuemPensa é Luís Dixe Masquete: O rock à boleia de um comboio de carvão

#QuemPensa é Luís Dixe Masquete: O rock à boleia de um comboio de carvão

Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues mantêm a vivência DIY que alimenta sonhos ao invés de editoras.


atrás do balcão, estavam duas das mais icónicas personagens do rock sem ícones.

Foi em 1972 que Fred e Toody Cole – membros dos Dead Moon – decidiram colocar a “vida loca” em stand-by devido à entrada da filha na Escola Primária.

De parte, ficavam as excursões recheadas de concertos que balançavam a família Cole entre Los Angeles e Portland, e foi nesta última – cidade de origem da banda e da “cena” – que decidiram abrir uma pequena loja de instrumentos, onde desafiavam os clientes a experimentarem os produtos sem rodeios.

«Plug in this, play drums». – e os clientes ficavam parvos com tamanha liberdade que lhes ofereciam de bandeja, soubessem eles que, atrás do balcão, estavam duas das mais icónicas personagens do rock sem ícones.

Fred e Toody Cole. DR.

 

 

E é aos primórdios da cena, do livre-arbítrio e do “estoumecagandismo” que “Primitive” – mais recente LP dos The Dirty Coal Train – nos transporta à borla via bandcamp para as épocas longínquas onde o rock era nada mais do que uma loja de instrumentos onde tod@s podemos experimentar.

Partiste? Pagas, é simples.

De volta às origens – que nunca lhes poderão acusar de infidelidade – os The Dirty Coal Train trazem-nos um disco “ao vivo em estúdio” e que nos lembra todo aquele “noir” com que os Dead Moon contagiaram o rock.
Sujo, cru, PRIMITIVO, é-nos impossível desfrutar o álbum a 100%, tamanha é a vontade espontânea de nos transportarmos para um concerto deles, de simularmos o mosh e aquela sensação transcendente de estares com poucas dezenas de parceir@s a teu lado, mas tod@s sentimos o mesmo.
Apenas não conseguimos simular a cerveja entornada, que escorrega que nem mel com esta «Singing Worms in Space».

Esperem. O mel escorrega bem?

Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues mantêm a vivência DIY que alimenta sonhos ao invés de editoras.

A verdade é que escorregando de disco em disco – 5 LP’s e uma compilação – Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues mantêm a vivência DIY que alimenta sonhos ao invés de editoras, numa travessia discográfica que remonta a 2012 mas que, em apenas 30 segundos, nos lembram o casal Cole e a roupagem obscura que deram ao punk.
Agora, e num disco gravado em São Paulo, os The Dirty Coal Train sabiam bem ao que vinham: um disco que soa como o primeiro com a qualidade do último, de instrumentalização voluptuosa que abre espaço às palavras.

Porque sem elas não haveria punk, não haveria nada.

Queriam viver num mundo em que expressões tão foleiras como “O caminho faz-se caminhando” não existissem?

Deixem as redundâncias jogar à bola, faxabôr!

Polícias da língua – ou de quaisquer departamentosnão nos enchem as medidas, tal como a professora de Weeden Cole que advertiu o filho mais velho dos Cole pela escolha do termo “gig” num exercício de rimas.
«Pig or Jig. Gig is not a word!» – disse ela.
«Yes it is! My dad’s got a gig on Friday.»
respondeu o puto, da mesma forma que, no futuro, “concerto” estará no léxico dos hipotéticos putos dos The Dirty Coal Train.
Logo a seguir a ‘papá’ e mamã’.

The Dirty Coal Train. DR.