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#QuemPensa é Luís Dixe Masquete: O Junho do Maus, recheado de bons

#QuemPensa é Luís Dixe Masquete: O Junho do Maus, recheado de bons

A transição Primavera-Verão.


Uma influência aguda do Clima nas hormonas humanas, facilmente ilibada p’la influência esdrúxula das hormonas no Clima e causadora de mudanças como a viragem dos King Gizzard & the Lizard Wizard em direcção ao “Kill ‘em All” dos Metallica.
«There is no Planet B» é a frase-mor da banda que trocou o ‘motorik’ p’la pujança cheia de crosta e cobre e que tem eco nos milhares de estudantes ambientalistas que também trocam as aulas p’las manifs sem pegada ecológica.
Ora, mudanças de temperatura e comportamentos de parte – menos plástico, tho – @s sapientes irão preferir o elevador às escadas do Maus independentemente dos Trumps e catastrofismos desta vida.

E fazem bem.

Num mês que começou com o actual rei desta merda, father of dragons and the seven genres, Conan Osiris, Junho traz a ilusão de que temos uma real alternativa ao Planeta Terra, mesmo que Julho nos ofereça os tradicionais incêndios do mal.

Porque do bem não faltam no 4º andar em questão.

 A noite Eurotika e os hulahoops de Svenja Tiger
uma espécime da fauna neo-progressista que tem expropriado as noites do Porto.
Influenciadas pela estética cabaret que marcou os 80’s, as noites Eurotika regressam ao Maus como mais uma espécime da fauna neo-progressista que tem expropriado as noites do Porto.
Falamos com uma das cabeças da rubrica nocturna: mais uísque que homem e lord do after que, em raro e belo momento de sobriedade, nos fala de “uma plataforma artística inclusiva, que explora várias correntes, numa iniciativa que – justifica – no futuro “não terá o contexto nocturno como único pano de fundo”.
Um belo ‘step foward’ na vida de Ricardo Prado que, de momento, nos oferece a Lua e boémia a 7 de Junho, com as live-performances de Svenja Tiger e de DJ Urânio com MC Sissi, com espaço na pista p’ra DJ Arrogance Arrogance.
Dos escombros da sensualidade para a psicadelia jubilosa, os Phoenician Drive e os The Vacant Lots dão folga de rock na Sexta com concertos na Quinta (13) e Sábado (16), respectivamente.
um “Afrikrautrock” que enche as medidas aos tempos e vontades d@s amantes do psych-rock.

Dois regressos à #tugalife, marcados de formas distintas na ambiência que nos permeia a alma e que, no caso dos belgas, a nos deslumbra com um “Afrikrautrock” que enche as medidas aos tempos e vontades d@s amantes do psych-rock, ambas as bandas nos dão razões p’ra não ressacar d’um hipotético fim de semana anterior – falando no VÓS Primavera Sound.

Com passagem p’lo Festival A Porta, os Phoenician Drive empregam o tribalismo como poucos, numa fórmula que nos lembra GOAT numa versão actualizada – e não trapaceira – d’um Iphone.
Saltando p’ra Sábado, mas com Lynce (Deus Lynce, Sempre Lynce) e cª a tomar a Sexta de assalto com a Porto City Gritty Committee, os The Vacant Lots regressam a Portugal em prenúncio ao lançamento do mais um EP recheado de electro-punk.
Gravado e masterizado por Anton Newcombe (Brian Jonestown Massacre), o futuro trabalho da dupla americana marca o sucessor de Endless Night e a contínua colaboração com lendas do “underground”, com os vocais do LP com a participação de Alan Vega, dos Suicide.
Onde o rock minimal casa e celebra bodas com a energia punk, Jared Arnaut e BrianMacFayden dão-nos uma chapada psicológica a quem aconselhamos garrafa e meia d’água depois da descarga de adrenalina que prometem a cada concerto.
A 15 de Junho, na agenda e no Maus.

Os The Vacant Lots com ‘double-date’ tuga, em Lisboa e no Porto
As ancas que cheguem a meio do mês com eficiência têm mais 15 dias e 7 noites p’ra manter a fitness.

Naquele que é o mais extenso artigo da nossa sádica e irregular rubrica, não faltam filh@s de Deus a visitar o Maus Hábitos em época de Santos Populares.

Não sabendo como repugnar a sardinha e os banhos de Verde, @s fiéis que ao Povinho não rezam credo topam aqui o refúgio prefeito p’ra marchar de festa em festa e evitar martelos e/ou alhos-porros.
As ancas que cheguem a meio do mês com eficiência – tal como a carteira – têm mais 15 dias e 7 noites p’ra manter a fitness – tão na moda como os neo-progressismos que…

Bom…

Em jeito de dama e srª do Bolhão:

«Olh’ó Slutfest em bésperas do Corpo de Deus e delas tod@s”
«Bai uma CAPRI ao preço do costume, é menino?»
«E uma canetinha Bic pr’ás Shuggah Lickurs tomarem nota do libro da Clara Não
«Olh’ó repolho fresquinho, p’ra pôr na cabeça como os enormes Ohxalá
Seja em que sotaque mexas os lábios, besunta-os c’uma sardinha.

Seja em que sotaque mexas os lábios, besunta-os c’uma sardinha, por amor da Santa.

Com a quantidade de hipsters d’um lado e Trump-friendly-conas d’outro, espanca-nos a saudade do mundo como o neo-antigamente – tipo, há 5 anos – e automaticamente licencia-nos em mentes que fazem da vida um Porto vs Benfica perpétuo e catastrófico para os restantes irmãos e irmãs deste planeta.
Mas relembrando a frase dos King Gizzard – recentemente aclamada p’lo Prof. Marcelo – não temos um planeta p’ra fugir e resta o Maus Hábitos p’ra nos testemunhar.
Cagando na srªa do Bulhão mas mantendo um cardápio de topo, a 2ª metade do mês oferece-te uma mão cheia de concertos em caso de seres um(a) operári@ têxtil com azar.

São quatro.

como não lacrimejar com o vazão de bilhetes para Jonathan Bree e de “Sleepwalkin‘”?
Começando pelo nome – e disco – mais próximo do Criador, como não lacrimejar com o vazão de bilhetes para Jonathan Bree e de “Sleepwalkin‘”? – disco de sedução misteriosa que lembra um psicopata de blazer, flor na boca e sangue nas mãos.
Co-fundador da Lil’ Chief Records – que alberga nomes como Princess Chelsea – o músico e compositor neo-zelandês chega com uma masterpiece a ecoar no Porto a 25 de Junho e, p’ra @s que carecem de ingresso, a marcar viagem ao Sul, com passagem pelo Festival A Porta (Leiria) e de visita ao Musicbox Lisboa.
Da Oceânia a Brighton vão quase 20.000km de distância, mas o selo de qualidade mantém-se com The Physics House Band, um dos nomes mais irreverentes da música progressiva no presente século e com estreia (finalmente) em Portugal com o selo da Ya Ya Yeah.
Num EP composto maioritariamente em duas semanas, “Death Sequence” marca o regresso do quarteto aos registos e com a participação especial de Steward Lee, num serão de Quinta-Feira de encher a casa e a sapiência musical de muit@s.

O terceiro – e nunca último – aniversário dos Ohxalá a 28 de Junho no Maus
a canção cuja identidade pertence â nação começa a pertencer à comunidade LGBT

Mas antes, e como começamos com “El Mago” Conan, o destaque final d’um mês voluptuoso merece a fasquia pesada mas firme com o apoio d’um mindinho, não fosse Fado Bicha um dos projectos de clamor nacional que, ao representar a tod@s, vem ao encontro de quem nunca ’teve uma canção popular dedicada.

Aqui, os brandos costumes mantêm os acordes de fundo, mas é na lírica e na retórica – quais adjectivos femininos a entrelaçar línguas – que a canção cuja identidade pertence â nação começa a pertencer à comunidade LGBT e às inquietações que persistem e a quem damos voz a 26 de Junho.
Na voz de Lila Fadista e nas cordas de João Caçador, o tradicionalismo é suicida e o preconceito morre aos braços da própria canção.
Pois tod@s somos diferentes, filh@s de Deus e, como nos deveriam ensinar na escola:

TOD@ @ FILH@ DE DEUS É UM(A) FILH@ DA PUTA!

 

Texto: Luís Dixe Masquete