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#ComoFoi Electric Octopus

#ComoFoi Electric Octopus

Há qualquer coisa de mágico em poder assistir a uma banda como Electric Octopus numa terra como Estarreja.


Um dos comentários que fizemos durante o concerto prendia-se exactamente com isto: é nestes locais periféricos que acontecem muitas das mais variadas manifestações culturais de qualidade neste recanto europeu à beira mar.

E é aqui que queremos estar presentes, também.

O trabalho de projectos irmãos como a Kola Moka são aquilo que mantém a cultura a vibrar nas periferias, que muitas vezes deveriam funcionar como exemplos do que é ou não possível concretizar, seja com muitos ou poucos recursos, para quem está nas cidades.

O Saramago Caffé Bar é um espaço considerável, e à nossa chegada ouviam-se não só os primeiros acordes de Electric Octopus, como o burburinho daquela que era uma casa cheia com bilheteira esgotada. É bonito de se ver. É amoroso ver caras conhecidas vindas do Porto, Avanca, Coimbra e outras cidades vizinhas.

a sensação de que não estamos num típico concerto mas numa jam.

Finalmente assistir a Electric Octopus foi um feito; estiveram presentes na piscina da última edição do Sonic Blast, concerto ao qual não assistimos por culpa da espera por dois filetes de pescada tão mal paridos quanto demorados num restaurante à beira da praia de Moledo, cujo preço choro até aos dias de hoje. No dia 31 a única coisa demorada foi a duração do concerto, o que esteve longe de ser um problema seja para quem for.

O icónico guitarrista de Electric Octopus, Tyrell, cujo aspecto nos remete automaticamente para um grande polvo dotado de capacidades que vão dos solos “hendrixianos” a um groove psicadélico de fazer dançar, toca descalço e de olhos fechados dando-nos a sensação de que não estamos num típico concerto mas numa jam em que a audiência participa activamente no desenrolar da noite.

hipnotizantes e dotados de uma capacidade de nos fazer embarcar numa viagem em o tempo passa mais rápido e também mais devagar.

As influências jazz e blues são claras no trio de Belfast, que contando com uma discografia impressionante de dez álbuns de estúdio, um álbum ao vivo e um EP, todos posteriores a 2016, elevam a fasquia no que toca à produção de música actualmente.

Não que consideremos que a qualidade seja medida pela quantidade, mas a verdade é que lançar álbuns de quatro horas poderia tornar Electric Octopus num daqueles projectos meio esquisitos e sem grande solidez que vão aparecendo e desaparecendo neste sub-género, mas não torna.

Torna-os muito bons naquilo que fazem, hipnotizantes e dotados de uma capacidade de nos fazer embarcar numa viagem em o tempo passa mais rápido e também mais devagar.

Recomenda-se como banda sonora de uma viagem pela Costa Vicentina, para fumar erva e conversar sobre aliens, ou para fazer bebés.

Sensivelmente a meio do concerto teve lugar uma pausa, na qual conhecemos Andre, o americano a acompanhar a tour de Electric Octopus e encarregue do merch da banda. O Andre é um daqueles tipos com quem simpatizamos automaticamente, mais que não seja por parecer saído da The IT Crowd, e que foi interagindo connosco pontualmente durante a duração do resto do concerto. Tivemos com ele uma conversa interessantíssima aquando do fim do concerto, e à qual se juntou Dave, baixista de Electric Octopus.

Não vos vou dizer sobre que tópico, mas era apropriado para ter dentro daquela que parecia uma tenda psicadélica cheia de néon e luzes radioactivas e que não podia estar mais de acordo com a sonoridade que nos envolvia. Esta instalação lindíssima foi cortesia do Luís Miguel da Open Door Decor.

Para fechar a noite esteve presente Pr1me Sinister, com um DJ Set electrónico que se prolongou noite fora naquela que foi a primeira semana de verão do ano.

Os queridos parceiros da Kola Moka estão de parabéns.

 

Texto: Ana Garcia de Mascarenhas
Fotos: Zita Moura