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#ComoVaiSer Oshun

#ComoVaiSer Oshun

Oshun. Essa palavra tão carregada de misticismo como de poder.


Uma deídade feminina do yoruba, religião africana forçosamente estendida para Cuba e Brasil, que carrega consigo a graça e o poder dos rios, do amor, da beleza.
DR: nancy musinguzy
Oshun trazem-nos finalmente a concretização de uma vontade antiga.

E são duas afro-americanas, Niambi e Thandiwe, que se juntam para dar corpo e som ao novo manifesto afrofuturista. Encarnam em si as cicatrizes e a tinta dos seus antepassados, e assumem uma vontade de redenção e emancipação, um desejo de um amanhã menos violento do que o ontem foi.

Quando tocam um hip-hop profundamente imbuído de influências soul, ouvimos a sensualidade do r’n’b do princípio dos 2000, e ouvimos também a garra de novos símbolos da hip-hop como são Princess Nokia ou Lady Leshurr. Também ouvimos nelas os punhos erguidos das THEESatisfaction, também ouvimos nelas a anca larga e o meneio de cabelo de Missy Elliot, também ouvimos nelas a atitude provocatória de Nokia, também ouvimos nelas a profundidade e a melancolia de Little Simz.

DR: Alberto Vargas

Oshun trazem-nos finalmente a concretização de uma vontade antiga, de um duo de mulheres que cantasse um hip-hop tão carregado de política como é de coração, tão carregado de liberdade como é de amor, com tanto volume no cabelo como na voz.

Mas a dimensão de Oshun não pode ser limitada pela mensagem de libertação que trazem consigo e que tanto faz lembrar o período áureo dos Dead Prez, a título de exemplo. O seu álbum de estreia, “bittersweet vol.1” é profundamente experimental (sem se tornar bizarro ou desconexo) e extremamente bem produzido, e percebe-se que as duas sacerdotisas estão a explorar os múltiplos cenários em que podem transportar a sua mensagem. Do trap mais clubbing que se pauta com as congas africanas, ao r’n’b mais sexy que nos fala de gospel e bençãos.

As Oshun apresentam-se hoje no Plano B. Recomenda-se a benção destas sacerdotisas.