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#ComoFoi Alcool Club no Hard Club

#ComoFoi Alcool Club no Hard Club

Quem pensa que Praso, Montana e Harte surgiram nesta nova onda de hip hop tuga, não imagina o percurso que trazem na bagagem.

O coletivo Álcool Club surgiu em 2004 na Costa Vincentina – mais propriamente em Sines – e sim, já são alguns anos a esvaziar garrafas e encher recintos. A um estilo boémio no meio de melodias jazz envolvidas em soul e acompanhadas de muito groove e rimas “pesadas” e versáteis habituaram os seus fãs, que surgem de todos os cantos do país e dos mais variados estilos musicais.

Nascidos e criados no hip-hop underground, os Álcool Club mantiveram-se fiéis à sua origem e nos dois álbuns lançados de forma independente. Desde logo podemos perceber que a a mensagem pode parecer turva mas cada rima está “bem carregada” de lógica e sentido crítico interventivo.

De volta ao Porto, dia 23 de Novembro foi sem dúvida uma noite memorável para todos que se fizeram ouvir no Hard Club. Ainda o relógio marcava a primeira hora do dia e a fila já dobrava o edifício histórico da Invicta. Nem o frio afastou os fiéis de aguardarem a abertura de portas já bem após da hora prevista.

Desta vez com a participação especial de Tom, Subtil, Silva G. e K. Otic, foi um espectáculo que mostrou que ainda existem “bandas” de hip hop “tuga” em grande forma.

O palco foi aberto pelos artistas convidados que além de mostrar o seu talento e trabalho, tiveram o privilégio de aquecer o público para a “festa” com carimbo Álcool Club que se seguiu.

Por entre o vibrar das colunas, o fumo denso e uma mistura de sonoridades, conseguimos sentir a energia e a mensagem que Praso, Montana e Harte transmitiram.

O palco esteve sempre cheio e ao rubro com a presença de membros da “família” de Norte a Sul acompanhados de um entra e sai de copos. Isto resultou num ambiente ainda mais animado e intenso a cada verso. A ligação muito próxima com o público onde as “trocas” de matérias sólidas e líquidas entre palco e plateia são 100‰ permitidas (algo já habitual e característico nas “festas” com o carimbo do coletivo), houve espaço não só para os artistas e o público se “enrolarem” em “acapellas” mas também para se ouvir temas dos trabalhos a solo de Montana e Praso e claro muitos “clássicos” inesquecíveis.

A festa não parou e após a actuação dos “mestres”, existiu novamente espaço em palco para mais convidados mostrarem que o hip hop não comercial está bem representado e se recomenda. Qualquer festa tem sempre espaço de dança e esta não foi excepção. A noite terminou já de dia ao som de clássicos e não só. Sobrou quem ainda tinha pulmão e fígado para aguentar o ritmo!

Apesar da demora na abertura de portas, é certo que o coletivo deixou tudo em palco e a festa rolou até o dia nascer. Por mais concertos destes na Invicta. Tudo o resto fica entre quem teve a coragem de estar presente.

Texto: Fernando Freitas
Imagens: João Torres Neves – Seven Concep Media