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#QuemPensa é Gil Costa: “Ela foi”

#QuemPensa é Gil Costa: “Ela foi”

Ela foi

 

E, ela foi.

Tal como, toda a gente, adivinhava.

Os telemóveis vibraram, ansiosos.

Quando ela foi.

 

Foi,

julgada.

Para onde ninguém esperava 

Que fosse.

 

O bairro

finge que lhe dói,

No cochicho geral.

Ela foi…

 

Diva do céu, noturno,

Todas fases da lua,

Em, aparente, mutação.

 

Vestida de gala…

Se, o pudor de ser,

Fosse tendência,

De moda em Milão.

 

Sem dor,

Sem se entregar,

Por medo, ou atrapalhação,

Por falta de noção…

 

Noites de núpcias

À consignação

sem credor.

 

Com, ou sem, visão.

Justifificando-se, ou não.

Ela foi…

 

Ela foi,

Debatendo-se pouco.

Deixando, somente, 

a certeza

 

Que o lar

A prende.

E, que ela,

não aprende.

 

Que, a calma,

Pode ser sádica.

E, o esganar, uma tentação.

 

Ela foi.

Vitima do porvir,

Que planeou no passado

Antecipadamente.

 

Falhando Redondamente .

Vivendo, Racionalmente

Sendo.

 

Almejando, uma vida,

Como ela planeia.

Viver contida.

 

Porventura…

Anuindo

que, lhe dói

Incomensuravelmente.

 

Que o chão 

A pisa a ela.

Compreensivelmente.

 

Morta, por vontade própria,

Olha, o recreio

além da cela.

Em que, ela mesma, se retém.

 

Pesada

E tristemente.

Como, quem segue a corrente.

Ela foi.

 

Desagradada,

e desagradavelmente.

Como um carinho, carente.

 

Andando

de trás p’rá frente.

Analitico-matematicamente.

 

Singela, sempre doce.

E, talvez, inocente.

Prático – impávido – previsivelmente.

 

Ficou assente…

O que,

O destino lhe impõe.

 

Seca, na nascente.

Non-grata-crente.

Nas flores que, ela, supõe,

Não terem espinhos nenhuns.

 

Feliz, ou infelizmente…

Inquestionavelmente…

 

Como, no fundo,

Toda a gente,

Que, por livre vontade,

É actor, sempre…

 

Ela foi.

Cryptmuzz – Lisboa Menina e Bruxa