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#ComoFoi Serrabulho

#ComoFoi Serrabulho

Os Serrabulho são o tipo de actuação a que qualquer um devia assistir pelo menos uma vez na vida, e de preferência acompanhados de alguém que não faça ideia ao que vai.


A minha chegada perigosamente tardia ao Hardclub permitiu-me apenas assistir ao concerto de Serrabulho no dia 9 de Fevereiro. É que vivemos na eterna realidade portuguesa na qual viver da música ou da arte, seja a pintar quadros, seja a escrever sobre concertos, é uma luta intensa e perpétua mas que nem por isso nos tolda o amor à camisola.

Ninguém ia conseguir assistir a um tal epítomo de maluqueira sem um sorriso na cara.
E por baixo da camisola da gelataria onde trabalho a part-time a servir crepes e gelados a agentes imobiliários novos-ricos, estará eternamente a t-shirt de Pig Destroyer.

Agradeço ao Ivan, baterista de Serrabulho, que amavelmente convidou a CVLTO para ir escrever sobre este concerto integrado no Concurso de Bandas do Vagos Metal Fest no HardClub, disputado por JARDA, Small Hours e Cosmic Wolves, e que aos primeiros 5 minutos de um Grindcore tão bárbaro quanto divertido já tinha tornado claro que desse momento em diante ninguém ia conseguir assistir a um tal epítomo de maluqueira sem um sorriso na cara.

De sublinhar que quem saiu vitorioso deste Concurso de Bandas foram os portuenses JARDA, cujo vocalista e guitarrista é nada mais nada menos que Pedro Lopes, um dos artistas CVLTO. O que só vem demonstrar, uma vez mais, a qualidade intrínseca dos artistas que trabalham connosco.

No centro da sala, circulava dentro do circle pit uma parte considerável do público, talvez até de número superior a quem se acumulava nas extremidades – a la punk velho, e que contra mim falo porque entretanto já me tornei um destes espécimes.

Uma gaita de foles ecoava, entrecortada por grunhidos que oscilavam entre o extremamente grave e o extremamente estridente, estes últimos dignos de um concerto de Judas Priest.

 

O universo do Zé Povinho português e o Party Grind/Gore típico dos Serrabulho.

O mais recente albúm Porntugal – que aqui em jeito promocional (que afinal é o objectivo da CVLTO) aproveitarei para dizer que a capa foi desenhada por uma artista plástica e amiga que muito aprecio, e cuja obra não podia assentar melhor na estética dos Serrabulho: Marta PenedaConta com uma mistura entre a cultura mais pura daquele que é o universo do Zé Povinho português e o Party Grind/Gore típico dos Serrabulho, traduziu-se no dia 9 muito além da música, com garrafões de vinho a voar do público para o palco e do palco para o público, uma série de vestimentas que foram do traje alentejano às máscaras de unicórnio, e um set de sensivelmente uma hora que na pior das hipóteses não deixa ninguém indiferente.

Mas os Serrabulho não se resumem apenas à total e completa bandalheira. As competências dos membros da banda a nível musical são inegáveis, e é precisamente por causa disso que são bons.

É uma javardeira, é a puta da loucura. Mas são bons.

Malhas como “Sweet Grind O’Mine” ou “Dingleberry Ice Cream” ecoaram pelas paredes do Hardclub como hinos à diversão e a um conceito de espectáculo em que a interacção do público é absolutamente intrínseca.

Vi os Serrabulho ao vivo pela primeira vez em Julho de 2014 no Milhões de Festa e cinco anos depois a natureza violenta e nem por isso menos divertida prevalece: os Serrabulho não só continuam por cá bem prontos para montar o circo, cantar os parabéns a um tipo chamado “Farpas” por entre alguma flatulência sonora, montar um comboio de malta gadelhuda que chegou ao hall de entrada do Hardclub, ou a terminar a noite com uma maralha de gente em cima do palco em êxtase absoluto perante o techno digno de uma qualquer rave russa nos anos 90 e o clássico dos clássicos: Zé Cabra.

Os Serrabulho são o tipo de actuação a que qualquer um devia assistir pelo menos uma vez na vida, e de preferência acompanhados de alguém que não faça ideia ao que vai. A CVLTO foi lá ver #ComoFoi e recomenda.

 

Ana Garcia de Mascarenhas.

 

Capa do álbum “Porntugal” dos Serrabulho, desenhada por Marta Peneda.