Menu & Search
#ComoFoi o Rodellus

#ComoFoi o Rodellus

Cada vez mais se confirma o que temos vindo a sentir ao longo dos últimos meses de reportagens CVLTO: é nas periferias que está o amanhã da música.


E o amanhã de Braga há cinco anos que se escreve em Ruilhe. Uma pequena aldeia perdida no interior do Alto Minho, que três dias por ano se enche de rock, fuzz, distorção e feedback. A já familiar hospitalidade minhota, como sempre, não desilude. E o calor minhoto tampouco.

O sol ia alto, a par e par das temperaturas deste fim de Julho, quando arranca o segundo dia de Rodellus na Casa do Músico. Dois homens, sentados à sombra, pé descalço e cerveja na mão comentam, à boa moda minhota:

“Não percebo, as pessoas gastam fortunas a ir p’á Tailândia e o caralho, para quê se podem vir a Ruilhe?”

Dois simpáticos minhotos, da Casa do Músico, que pediram expressamente uma foto para a revista.

Com os caldenses Democrash ao comando a inaugurar as festas, a fasquia ficou automaticamente muito elevada.

 

Este projecto arranca em 2014, conta já com dois álbuns lançados, e tanto em palco como em disco mostram que lhes importa muito pouco o género em que se situem.

Vão do punk, ao funk, ao synth, ao rock, ao que for e bem lhes apetecer.

Entre três guitarras, baixo, saxofone, sintetizador e bateria, os Democrash mostram sem qualquer pudor que cresceram com o rock dos 80s e 90s. Têm uma postura provocadora, e uma sonoridade funky, e têm qualquer coisa de spoken word assim muito à Primus.

Em “Feedback is my drug” contam-nos a história do feedback e da distorção, numa cadência acelerada e com o olhar alucinado de Octávio Nunes, e garantem que numa próxima oportunidade hão-de contar-nos mais histórias do género.

E depois do funk rock de Democrash, sobem os barcelenses Doutor Assério.

Problemáticos é dizer pouco. Mas é o tipo de problemático bem minhoto.

Doutor Assério parece ser o produto de uma noite de amor tórrido e alcoolizado entre os Censurados e Ena Pá 2000. É punk rock bem tuga, bem à moda antiga, da escola de Renegados de Boliqueime, Ku de Judas e Peste & Sida.

Mas não julguem vocês que por tocarem sobre a “Miúda Estrábica” ou o “Chato do Caralho” (“e se vocês não conhecem ninguém assim, é porque provavelmente são vocês”) que os Doutor Assério são só uma banda de glória à má-vida e ao deboche. Cantam-nos sobre Orwell, sobre a camisola do Che numa vida anti-sistema que é um dilema.

De fazer notar que ao vivo tocam muito mais rápido do que o que se ouve em estúdio. E isso é um ponto extra para os Doutor Assério.

E como esta vida e esta cena é feita de pontes, é preciso sublinhar que o baixista dos Doutor Assério tem por alcunha Presidente, por ser director do festival Souto Rock, que acontece em Roriz, Barcelos, há já 15 anos.

A cena local precisa de si própria, ao fim e ao cabo, não é verdade?

Depois de um simpático jantar recheado de sorrisos e bons tratos pelos habitantes locais de Ruilhe, a festa continua assegurada pela bonita cena de Braga.

Mr. Mojo, com quem já nos cruzamos antes, inauguram o Palco Eira com a sua raiva e imundície. Quatro músicos que claramente vieram do punk de Braga e souberam amadurecer o seu som sem perderem pé nas suas raízes.

Sem receio a experimentarem vários géneros, vão do doom, ao sludge ao psicadélico maléfico, sempre com uma aura pesada em torno deles.

Com o olhar no melhor dos anos 70, não perdem de vista o sítio para onde caminha o rock de hoje, e prova disso são os dois álbuns que lançaram desde 2016. Mr. Mojo, como outros nomes que pisaram os dois palcos do Rodellus, é uma boa promessa com tudo para ser cumprida.

Depois de Mr. Mojo a energia dentro daquele simpático recinto construído pelas mãos de quem organiza o festival alterou-se completamente. Passamos da raiva latente de Braga para a melodia psicadélica de Bordeaux.

Sobe um dos nomes mais antecipados do cartaz do Rodellus. Os franceses Mars Red Sky inundam o Rodellus da sua luz vermelha e das suas viagens astrais.

Com um nome que faz homenagem à “Dragonaut” dos lendários Sleep, a viagem em que o trio de Bordeaux nos leva é longa e alucinante. Sendo uns dos percurssores da nova onda do stoner psicadélico, os Mars Red Sky têm vindo a abrir caminho para novas interpretações dentro de um género que geralmente se vê associado a paisagens distópicas e gravosas.

A abordagem deles é diferente.

A voz etérea de Julien Pras liberta a sonoridade – de outra forma pesada – da banda para uma dimensão mais de sonho do que propriamente de pesadelo. Se em Dopesmoker (dos Sleep) a viagem para a “riff filled land” faz-se lenta e ritualística, em The Task Eternal (de MRS) viajamos lentamente, sim, mas com os pés leves e o olhar inundado de carmim.

Para deleite do público, que sacudia lentamente as cabeças numa bonita coreografia, tocaram temas dos seus trabalhos mais antigos, e neles notava-se a evolução e o ponto de maturidade a que a banda já chegou nos últimos oito anos de trabalho. Com 4 EPs e 5 LPs lançados, mantém-se a identidade de Mars Red Sky mas vão progressivamente distanciando-se da sonoridade que associamos aos clássicos do doom e stoner.

Quando celebramos os 50 anos da chegada à lua, este trio vem mostrar-nos a urgência em conhecermos o céu vermelho de Marte.

E se tivemos toda esta oscilação de disposições entre Mr. Mojo e Mars Red Sky, mais oscilamos quando voltamos para o Palco Eira para ver os madrilenhos FAVX.

A CVLTO já antes tinha tido oportunidade de ver e cobrir esta banda, num modesto palco em Freamunde, e tal como confirmamos na altura, o concerto que vimos em Fevereiro passado foi intimista, quase de jazz à luz das velas.

No palco Eira do Rodellus, com uma assombrosa luz azul nas suas costas, os FAVX mostraram um bocadinho melhor aquilo de que são feitos. Jimmy está muito mais confortável atrás do kit de bateria, Carlos mantém a sua postura sóbria e controlada no baixo, e Dani revela-se uma verdadeira fera de palco.

O que foi também o concerto mais agitado desta edição do Rodellus não tem imagens que lhe faça justiça – e fica a nota de agradecimento pessoal pela maldade que fizeram ao pedirem ao técnico de luz que só lhes desse luz azul.

O fuzz garageiro dos FAVX é outro que não se deixa entalar em caixinhas, como cada vez mais confirmamos que tem vindo a acontecer em vários novos projectos musicais. Vai do grunge, ao punk, ao fuzz, ao garage rock, sempre com o ponteiro a bater nas 7000 rotações por minuto. É acelerado, é enérgico, é cheio de raiva e cabriolas no palco.

Há uma nota que deve ser feita: na linha da frente esteve o tempo todo o jovem Ricardo Bulhão, voz e guitarra dos Sun Dye, que no dia anterior partilharam palco e backline com os FAVX no Maus Hábitos.

E passamos da energia crua e dissonante dos FAVX para as construções épicas de Solar Corona.

A formação que desde 2016 tem vindo a fazer palco por este Portugal e esta Europa fora estava com um elemento em falta. E ainda que lhes faltasse Julius Gabriel no saxofone, nem por isso as composições pareciam coxas.

Este que já se está a tornar um grupo de culto voltou a fazer provas de quão dignos são deste título.

Rodrigo, na guitarra e synth, constrói complexas camadas de som, enquanto segura o lábio de baixo com os dentes e a guitarra com a alma. Se nas reportagens da CVLTO tendemos a fazer notar que há guitarristas que têm pianos de pedais aos pés, Rodrigo não tem um piano, não:

os pedais que manobra com mestria são quase o equivalente a um órgão de igreja.

Peter, atrás de uma cortina de fumo e luzes quase cegantes, segura os ritmos para Rodrigo com segurança e sem show off. É difícil segurar a base rítmica para o tipo de sonoridade flutuante de Solar Corona, mas nem por isso parece ser tarefa herculea para Peter. E felizmente este é dos bateristas que não se resigna nem limita à tarefa rítmica, sem abafar os companheiros de palco.

E do outro lado do palco, nas quatro cordas, temos José Roberto, que já foi apodado de “o Jimmy Hendrix português”.

Pôr um baixo nas mãos de um guitarrista tão enérgico e virtuoso como José Roberto tem o magnífico resultado que se pode ouvir em Solar Corona. O baixo sai da secção rítmica e constrói tanta melodia como a guitarra de Rodrigo. Com velocidade e groove, é rejuvenescedor ver um baixista com tanta garra como é a de José Roberto. E mais se confirma esta teoria (que vale o que vale) porque o baixo que leva ao peito é um Flying V da Eastwood.

Para rematar um concerto que se viu de sorriso nos lábios, José Roberto anuncia que a última música que vão tocar é uma cover. E o que se ouve são os lendários acordes de baixo com que rebenta a “Ace of Spades”. Não parece a esta vossa repórter que se possa chamar ao que tocaram uma “cover”, mas antes uma versão da Ace of Spades, porque tendo a fúria explosiva de Motorhead não perdeu a dimensão astral de Solar Corona. E que remate a pés juntos para fim de concerto.

 

Ao regressar para o Palco Eira, voltamos ao mood que FAVX deixara atrás de si. Sobem os italianos Bee Bee Sea, mais um power trio na sequência dos dois anteriores, que vão beber directamente à escola de garage rock de San Diego.

Uma disposição divertida, e electrizante, que em muito faz recuar ao rock’n’roll dos 70s e ao surf rock dos 50s. Vamos pensar em The Cramps com uns pózinhos de indie. Ou talvez não.

O interessante deste fenómeno que se tem vindo a chamar de “escola Ty Segall” é que é difícil categorizar as bandas e o que tocam. É certo que há pontos em comum na maioria delas, especialmente no que respeita à energia com que ocupam o palco, e uma vibe geral de sol e boa disposição.

Wilson, na guitarra e na voz, cada duas por três entusiasma-se nuns passinhos de dança que fazem lembrar um tímido shuffle. A voz limpa e os olhos semi-cerrados fazem nutrir uma simpatia automática pela banda.

E depois da boa disposição de Bee Bee Sea, sobem os loucos e enloquecedores Gin Party Soundsystem. Já é um nome de trazer por casa para quem conhece a noite do Porto, e o melhor que se pode dizer para descrever este projecto é:

“imaginem uma discoteca nos idos de 2004”.

As camisas florais e com flamingos, a Britney Spears e o Darude, todos os clássicos pop da nossa juventude voltam a bater nas horas, e não há pingo de vergonha na hora de dançar e cantar a plenos pulmões. Por isso é que Gin Party é tão divertido e tão desavergonhadamente honesto.

O segundo dia de Rodellus acabou assim, com os Gin Party a deixarem a equipa técnica e de segurança em estado de alarme com tal deboche enquanto que a organização do festival encolhia os ombros e assegurava que a coisa era mesmo assim que tinha que ser.

 

O terceiro e último dia de Rodellus recomeça na Casa do Músico, com o mesmo calor e a mesma hospitalidade do dia anterior.

São os Jepards, de Fafe, que têm a missão de começar a calentar as hostes para mais um dia de rock’n’roll rural.

O ambiente na Casa do Músico, que já se vê com mais gente que no dia anterior, é de amena cavaqueira, sorrisos e cerveja fria, com um dia de sol minhoto pede.

E assim que os Jepards arrancam, começam a trocar-se olhares pensativos e nostálgicos. Parece que estamos a ouvir as primeiras malhas de Arctic Monkeys. Com uns laivos de melodia assim à Joy Division, e uma voz limpa, de timbre agudo, e jovial, estamos a ouvir um indie rock que faz recuar ao final dos anos 90, quando as Converse eram coloridas e as calças curtas.

“Esta é a que bate mais nas internetes, chama-se She Says”

“She Says”, do álbum de estreia “Okay, alright!”, é uma simpática balada, assim bem à The Strokes, sobre uma jovem atormentada. Que bom ser jovem.

E depois da saudosa jovialidade dos Jepards, sobem os Fuzzil, de Alcobaça. A primeira impressão que surge:

se a malta dos Cadillac Records tivesse nascido nos 90 e crescido com rock, era isto que tocavam.

Fuzz sem demasiados artilúgios, padeirada na estrita medida do necessário, sem perder funk nem groove que muito deve a Wilson, nas quatro cordas. Numa nota mais pessoal, que bom finalmente encontrar um baixista neste nicho que domina as técnicas de slapping e popping, as exibe, mas não faz delas cavalo de batalha.

Cada duas por três, a guitarra de ritmo de Filipe tem aquele acorde limpinho à Graveyard, que quase dá para ouvir a palheta namorar cada corda.

Nessa nota, as influências de Graveyard em Fuzzil são evidentes, mas nem por isso se parecem uma banda de tributo. Antes pelo contrário. O timbre muito particular de Leonardo, vocalista prinicpal e guitarrista, dá um tom muito sui generis à banda. E como se não bastasse, Fuzzil concretiza o que poucos conseguem:

quatro vozes melódicas em perfeita consonância com um fuzz bem agressivo, sem se tornar overwhelming.

E encerrada a tarde no palco Músico, um jantar bem minhoto e de estômago bem acondicionado, vamos direitas ao palco Rodellus para ver os nossos amigos Gator, the Alligator.

Já muito se disse sobre eles, aqui há bem pouco tempo e aqui mesmo na CVLTO, mas todas as oportunidades são boas para se reforçar uma ideia importante acerca destes jovens minhotos:

quanto maior for palco, mais espaço eles ocupam.

Se o que assistimos no Maus Hábitos, em Julho, foi de uma descarga imensa de energia, comparando com o que vimos no Rodellus quase que poderíamos falar de um concerto intimista.

Os sorrisos que os rapazes de Gator the Alligator levavam nos lábios eram tão grandes como as passadas que davam pelo palco.

Já falámos sobre a “escola de Ty Segall” quando chegámos aos animados Bee Bee Sea, e de novo é preciso falar sobre ela.

Gator the Alligator vem nesta nova senda de bandas que estão a reinventar o fuzz, com uma nova sonoridade, uma nova proposta, uma nova postura.

Chegamos a um momento em que se dispensa a postura de rockstars muito afectadas. Afinal, estes quatro rapazes são bem minhotos, ali de Barcelos, onde o rock se toca alto e o vinho se bebe à taça, e trazem com eles a bandeira do sítio de onde vem, que tanta fama tem no que à música respeita.

Gator é agitado, é divertido, e é jovial. Mas não é a energia tonta de pré-adolescentes que se juntam na garagem do tio imigrante para tocar umas modinhas e queixarem-se dos pais. É energia crua, como electricidade estática que se sente no ar depois de passar uma tempestade e as nuvens abrirem.

E já que estamos numa nota de bandalheira, vamos avançar para GoBabyGo. Este projecto portuense já conta com 12 anos de cartilha, com dois álbuns e dois EPs lançados, é a suma concretização daquilo que muitos projectos contemporâneos tão desesperadamente procuram.

Perdoem o brejeirismo desta vossa repórter, que, ao fim e ao cabo, não deixa de ser portuense:
os GoBabyGo estão-se absolutamente a cagar.

Naquele concerto ouviu-se industrial, ouviu-se ska punk, ouviu-se pop rock bem à portuguesa, ouviu-se metalada, tudo num registo de “viemos aqui para curtir”. E concretizam essa vontade.

“Então e ninguém se chega à frente, estão todos com medo?!”

“CHEGUEEEEI!”

Grita o jovem com a t-shirt de Napalm Death. E chegou de facto. E mesmo assim, o público mantinha-se tímido.

“Eu já sei como é que vos puxo aqui para a frente”, anuncia o baterista. E de trás das costas saca uma garrafa de whisky e uma manga de copos de shot.

Foi ver a malta a atirar-se para as grades como galinhas ao grão.

Partilha-se o whisky, faz-se o brinde, e a malta recua de novo.

“É, agora não se esqueçam de voltar aí para trás”, graceja Miguel, o baixista.

E da caótica agitação de GoBabyGo, vamos para a gloriosa e apoteótica dimensão de Brutus, uma das bandas que mais expectativa criou nesta edição do Rodellus.

O trio belga poderia enquadrar-se nesse estreito nicho que é “post-rock matemático”, pela complexidade das suas construções melódicas. Mas verdade é que as diferentes escolas de Stefanie, Stijn e Peter resultam numa poção alquímica de hardcore, post-rock, punk, e black metal. Isto dito assim mais ou menos às três pancadas.

Stefanie, na bateria e voz, é em si mesma uma força da natureza.

Não parece possível que alguém com tanta energia atrás da bateria consiga segurar notas longas e limpas com a clareza cristalina dela. O seu kit de bateria, aliás, é substancialmente mais reduzido que o que geralmente se encontra em projectos como Brutus, e ainda assim as composições dela são absolutamente épicas.

É curioso ver também os tradicionais “papéis” de baixista e guitarrista a inverterem-se. O guitarrista Stjin é low-profile, no lado do palco com menos iluminação, e pouco mais se mexe do que uma tímida oscilação para trás e para a frente.

As construções etéreas que faz, essas sim, são o que nos transporta para a dimensão post-rock de Brutus. Poucas são as vezes que levanta o olhar para o público – não há necessidade disso, vamos com ele onde ele quer levar-nos.

E depois temos Peter, que se não veio do punk, disfarça bem.

É rápido, é feroz, desloca-se pelo palco como um animal recém-libertado no seu habitat natural. O que é deslumbrante na sinergia entre Peter e Stefanie é a cumplicidade que demonstram entre si, cada qual num registo muito próprio, segurando um ritmo absolutamente brutal para as viagens cósmicas de Stjin.

Daí a poção alquímica de Brutus: cada qual na sua fórmula, tornam pedra bruta em ouro.

A cada música, Stefanie pausa, encara o público e agradece de sorriso de orelha a orelha:

“Thank you for coming, thank you for waiting, thank you for clapping. You can tell by my face that I’m also really happy.”

Somos muitos, Stefanie.

Mantendo a boa disposição de Stefanie – mas não o epicismo de Brutus – vamos para Quadra, na que parece ser a noite dos bateristas vivaços.

Este quinteto instrumental vem da tradição do indie rock português, com uma fusão de sonoridades e melodias que parecem resultar de uma relação entrópica muito própria entre os cinco.

Sérgio Alves, no baixo, é em si um espectáculo digno de se assistir: um baixista surrealmente bom, com linhas bem funky, assim bem à Stevie Wonder.

Continuando na linha do indie, passamos para os vimarenenses Paraguaii. Já com cinco anos de banda, e três trabalhos de estúdio lançados, pautam-se pela forma como assumem que querem fazer música dançável. Assumem a electrónica, e assumem as boas vibes, e assumem o calor na sua sonoridade.

O nome coincide com o som. E que boa nota em que se dá o passo para a tropicália alucinante de Candy Diaz, a DJ que encerra esta quinta edição do Rodellus. Das cumbias, aos ritmos afro-latinos, ao bass perigoso das novas leituras da música latina, que divertido ouvir música de praia e caipirinha e o som de ondas a bater na areia numa húmida noite minhota.

O Rodellus apresenta-se tal e como é: feito pelas gentes da terra, que o fazem por amor à música, que tiram do seu próprio corpo e do seu próprio suor a construção – física e não só – de um festival que se entrega verdadeiramente a um nicho que vai a pouco e pouco começando a ser explorado em Portugal.

Se é verdade que é do Minho que vem bom vinho e boa música, o Rodellus, em Ruílhe, é uma confirmação mais desta tão universal verdade. Venha daí mais meia década a podar.

 

Texto: Zita Moura
Fotos dia 2: Zita Moura
Fotos dia 3: downclose