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#QuemPensa é Mariana Rosária: “”A direita, a esquerda e a extrema esquerda não entram num bar”

#QuemPensa é Mariana Rosária: “”A direita, a esquerda e a extrema esquerda não entram num bar”

“A dicotomia PS/PSD mantém-se. Para a maioria do povo, é aceitável pertencer-se a qualquer um destes grupos.”
Vejo frequentemente na Internet, pessoas de direita a utilizar o seguinte argumento: “a direita está tão perseguida em Portugal, que é preferível dizer que se é de extrema-esquerda. E só se teme a extrema-direita, sendo que há uma infiltração da ultraesquerda no próprio parlamento”.

Ora, este tipo de argumentação é falacioso. Tanto que é notório pelos votos da população que a esquerda e a direita centralizadas continuam a conquistar os boletins. A dicotomia PS/PSD mantém-se. Para a maioria do povo, é aceitável pertencer-se a qualquer um destes grupos.

Obviamente, para quem é de esquerda, a extrema – esquerda é menos preocupante do que a extrema-direita. Penso que não será necessário explicar. Porém, tendo em conta o passado recente da Europa, que sofreu com ditaduras de direita, é natural que o medo à alt right seja o predominante. Se compararmos, pelo contrário, o caso dos EUA, verificamos que o comunismo continua a ser utilizado como insulto devido a efeitos secundários da Guerra Fria. Cada país irá fomentar o seu desagrado com um grupo político, considerando a sua própria história.

Noutra perspectiva, penso que será justo para esta geração que a ultradireita seja a maior preocupação, devido às características dos ideiais sociais que esta apresenta. Num século que se representa por mudanças como a legalização do aborto, legalização do casamento homossexual, criminalização do racismo e apoio médico estatal a transgénero, parece-me de facto que esta vaga política será a que realmente as põe em causa. A extrema-esquerda não se manifesta tão tendencialmente contra estas questões. Talvez nisso, até a direita pareça recair num maior conservadorismo.

“E não há nenhuma perseguição à direita, há uma intolerância aos vossos próprios valores.”

Portanto, se são de direita, muito bem. No que toca a legislação de mercado e economia, têm o vosso ponto de vista. É justo. Se a nível social pendem para uma sociedade de direitos iguais para todos os diferentes, óptimo. Se calhar, até já podemos tomar um café. Mas se, por outro lado, utilizam esse tipo de argumento que fomenta que as pessoas de esquerda são umas intolerantes porque preferem a extrema ala da esquerda à direita descentralizada, então provavelmente os vossos ideiais sociais já remetem para um cariz mais retorcido. E não há nenhuma perseguição à direita, há uma intolerância aos vossos próprios valores.
Trabalho = Tempo
+ Dedicação – Cinara Pisco

 

Texto de Mariana Rosária