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#QuemPensa é Gil Costa: “Registo civil”

#QuemPensa é Gil Costa: “Registo civil”

Sou artista meliante,
Perdido no espaço-tempo;
Com esperança no futuro;

Sem hipóteses, de momento;

 

Sou Português pelo convívio.

Alemão, sem o falar.

 

Leio livros de bolso que não me cabem na carteira;

Por azar…

 

Ou, por alívio.

 

O autismo artístico,
Cego deficiente.
É ímpio…

 

Não dá esmola na igreja,

Indigente.

As coisas que sabe, não aprendeu na escola.

 

Vive por vinte
Pedaços de Homens,

 

Na lastimável condição,

De, quem diz qu’é alemão,

Mas que, p’ro alemão, é índio.

Intelectual bandeirante,

Na,

Nobre,

Coimbra estudante.

 

À qual,

Enfim Derrotado,

Eu

Me rendo.

 

Mas, que
Nunca pense que eu louvo,

O cruel,

E, assaz vil,

Roubo,

À indole de cada qual.

 

Que acreditou, bobo,

Que findou o estado novo.

Ou, qualquer, outra política igual,

Ou semelhante.

 

Para a estátua de Napoleão,

Tanto lhe faz, se a derrubam,
Ou a deixam estanque.

 

E eu que…

 

Não sou carteira de leopardo,

Nem lombo de jumento,

Para bater.

 

Não sou uma mina.

Nem matéria prima

Para vender.

 

Não sou uma auto-estrada, 

Ou uma obra civil 

A nascer. 

Não sou a maior casa, 

Ou o trono, 

De "quem merecer". 

Não sou,

 

De todo,

Enraizado
Na ideia de que as pessoas

aparentemente,

Mundanamente,

Consisitentemente,

Unanimemente

 

Normais.
Sejam,
consequenciais
Ao poder.

Não relevo.

Não escolho.

Não abraço.

Não me movo.

 

Sou só Artista meliante,
Perdido no espaço-tempo.
Adivinho que, no futuro,
Não terei “hipóteses, de momento”

 

Cataclysm – Rui Moura

 

Texto de Gil Costa