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#JáQueAquiEstamos n’O Bom, o Mau e o Azevedo

#JáQueAquiEstamos n’O Bom, o Mau e o Azevedo

Privilegiados os que estiveram no Maus Hábitos na noite da passada quinta-feira, 11 de Abril.


Inauguramos nova sub-rubrica que vos conta #ComoFoi. Na verdade, #JáQueAquiEstamos, podemos dizer-vos como foi, não é assim?

 

Foi já em cima de palco e com um dedo no ecrã de um smartphone que o guitarrista Miguel Azevedo lançou o LP de estreia de O Bom, o Mau e o Azevedo, na primeira de três datas de apresentação – Maus Hábitos do Porto a 11 de Abril, Damas em Lisboa a 12 de Abril, e Pinga-Amor em Coimbra a 13.

O Bom, o Mau e o Azevedo, Milhões de Festa 2017. Zita Moura
Aqui na redacção da CVLTO descobrimos que numa vida anterior já tínhamos cruzado caminho com este magnífico quarteto. As fotos que acompanham são do concerto que deram no Milhões de Festa de 2017.

Agradecimentos feitos – nomeadamente a Joel Costa e a Manel Cruz pela participação na gravação de teclados – a banda cujo nome teve inspiração no famoso western “clint eastwoodiano” “O Bom, o Mau e o Vilão” não podia ter arrancado com melhor sonoridade para um duelo de cowboys bem no centro da cidade do Porto.

O quarteto começa o concerto vestido a rigor; fato, gravata e chapéu, vestimenta que os poderia fazer passar facilmente por um qualquer grupo de gangsters italianos saídos dos anos 50.

Ao longo do concerto vão perdendo os casacos. Nunca a classe.

As linhas de baixo de Rui Martelo seguram a groovyness do surf rock vilanesco que o quarteto toca, sem perderem a dureza de um homem que já conhecemos de outros projectos como Greengo e Krypto.

A emoção não atrapalha minimamente a técnica, e lê-se nos rostos dos quatro músicos satisfação e divertimento perante as ovações regulares do público.

De um quarteto de músicos de currículo impressionante na música nacional não se esperaria menos, mas ainda assim não resistimos a esboçar um sorriso perante os solos fantásticos de Miguel Azevedo, que de vez em quando recuava em palco, absorvido na freneticidade de um género musical que nos transporta para uma realidade paralela sem lei.

A sonoridade da banda é sexy, e é marota. É música para fazer coisas ilegais.

Tem um cheirinho do melhor do rockabilly (ou não estivesse o público de joelhos frenéticos), uma linha de bateria que nos relembra bandas lendárias como The Challengers ou Satan’s Pilgrims. Mais do que tudo isto, este cenário típico de Quentin Tarantino (um Tarantino um bocadinho mais bem disposto do que o habitual, diga-se de passagem) que se monta automaticamente aos primeiros acordes de O Bom, o Mau e o Azevedo, seria mais do que suficiente para deixar um astro como Dick Dale orgulhoso.

O Bom, o Mau e o Azevedo, Milhões de Festa 2017. Zita Moura

 

As opiniões no público iam-se dividindo:

“Isto é música para ouvir a beber um whisky mais velho que tu no canto do bar.” (Em homenagem a Gainsbourg, de Nerve)

“Desculpa, isto é música para estar no areal com uma cerveja morna a curtir o pôr-do-sol.”

Certo é que em qualquer um destes cenários, a familiaridade do som de O Bom, o Mau e o Azevedo carrega consigo uma nostalgia difusa mas que nem por isso perde frescura.

Na senda de outros virtuosos que estão a fazer estrada e engolir palcos neste Portugal num registo cinematográfico – como podem ser os Dead Combo, ou O Gajo, ou O Filho-da-Mãe – certamente O Bom, o Mau e o Azevedo têm todo um outro filme para nos contar.

E que enquanto eles tocam, cada um feche os olhos e construa o seu.

 

Texto: Zita Moura e Ana Garcia de Mascarenhas
Fotos: Zita Moura, pelo Milhões de Festa, 2017