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#QuemPensa é Father John Misery: playlist para Janeiro – pt.6/6

#QuemPensa é Father John Misery: playlist para Janeiro – pt.6/6

O que ando a ouvir, porquê, o que me diz e porque vocês a devem ouvir e fazer aquilo que eu vos digo até morrerem.


Father John Misery construiu uma playlist para a CVLTO que irá analisar ao longo dos próximos dias. A playlist completa está disponível aqui.

“Plainsong” – Seefeel

“Plainsong” – Seefeel

Pegaram numa batida de New Order e meteram lá shoegaze e uma melodia fofa.

Eu meti isto aqui para vocês verem que há coisas melhores que techno para se dançar.

Não vou aprofundar muito porque também não me diz muita coisa. Mas se preferem ouvir o som de uma betoneira a ser enrabada por um martelo pneumático durante 7 horas seguidas, tá-se bem. Agora não se admirem de chegarem aos 30 com a profundidade emocional de um pacote de Doritos bits e com um hábito de droga que não têm a capacidade nem ferramentas para gerir.

 

“Feet” – Fat White Family

“Feet” – Fat White Family

Os filhos pródigos regressam e, finalmente, um tema de 2019. Há quem diga que isto está demasiado pop e que os gajos se venderam.

O meu ponto de vista é: se um cavalheiro da minha tribo chega ao poder, as coisas vão correr bem para o meu lado.

Os Fat White Family representam todo o tipo de subsidio-dependente, drogado, atrasado mental social, aleijadinho emocional, desdentado, okupa, anormal, punheteiro de gajas vestidas de fardas nazis, anti-gentrificação, jovem não-emancipado, etc…tudo o que é demasiado patético para entrar no universo taciturno-sexy de Velvet Underground, demasiado imaturo e juvenil para entrar no universo kafkiano dos The Fall e demasiado pobres e mal vestidos para terem dominado o underground londrino na segunda metade do milénio (infelizmente não se vestiam como os Horrors :< ).

Melhor: são os herdeiros do trono dos desconstrucionistas The Fall e dos Country Teasers.

E penso… se esses gajos enchem estádios eu fico contente por eles e pode ser que eu consiga, um dia, viver da música. São gajos que abriram um estúdio em Sheffield com valores de gravação a 400% menos o de uma gravação normal para o pessoal de classe trabalhadora ter a possibilidade de fazer música com guitarras.

Os meninos sabem partilhar e não querem saber de dinheiro ou vidas de luxo porque nunca a tiveram e estão completamente a borrifar-se. É preciso que mais pessoas pensem desta maneira.

O tema, hilariantemente denominado “Pés” é, em si, quase uma música dos Era (sim… esses ‘Era’… os dos cânticos gregorianos new-age) com alguns breaks de bateria a soarem a Einstürzende Neubauten (aquilo deve ser sample de chapa ou o caralho) com direito a arranjos cinemáticos super-dramáticos com um riffzinho à Abba, um solo de guitarra só para meter nojo, auto-tune, e uma letra com a expressão “sand nigger” metida lá para o meio.

No video temos direito a ver os três membros restantes dos FWF em acção como nunca antes! O pénis do Lias Saoudi (vocalista), o Saul Adamczewski (principal compositor) numa farda de facho a receber grande punhetão do Nathan Saoudi (teclista) inocentemente vestido de marinheiro e um tiroteio em pleno teatro de uma guerra que (ainda) não existiu. Ou seja, aquilo que toda a gente devia estar a fazer em vez de arranjar a maneira mais cool de vender, a pessoal sem cabecinha, música de merda (olá, NOS Primavera Sound).

Os Fat White Family são os últimos de uma espécie que está em extinção: de gajos cínicos o suficiente para não alinharem em tendências mas com a fé suficiente no poder transformativo da música e eu dou-lhes todo o meu apoio, amor e carinho. Não dou é contactos para droga.

Espero que tenham estabilidade financeira e que a vida lhes corra bem. Se resultar em KLF fico ainda mais contente. Estamos a falar de gajos que, em cada post no Facebook, assinam “Praise Allah”, com a possibilidade de entrar nos tops. Quer-se dizer… eles já tocaram um tema cujo refrão “Well, tell me baby, is it raining in your mouth?” no Letterman. Isto agora é só um tirinho ;)!

Ok… fora a pitice… quero dizer: Para mim é o tema mais importante do ano porque eu sou a pessoa mais importante à face da Terra. 🙂

“Stop & Think It Over”- Compulsive Gamblers

“Stop & Think It Over”- Compulsive Gamblers
A única rockalhada daqui. Se os Vaccines fossem uma banda a sério, soariam a isto.

Os Compulsive Gamblers foram liderados, entre 1990 e 2003, por um gajo chamado Greg Cartwright (Oblivian) e outro chamado Jack Yarber que fundaram os Oblivians que são, também, uma lendária banda de Garage Punk dos anos 90 (teremos tempo para explorar isto em futuras playlists).

A bateria está sempre nas horas do caralho, como se fosse a última música do set desse bar.

Os acordes (típicos de uma faixa qualquer produzida pelo Phil Spector no início dos anos 60) são bem desenhados e tocados com raiva mas precisão e recriam todos os clichés do género em segundos.

De um momento temos “Blue Moon”, depois “I Wanna Be Your Boyfriend”, “Johnny B. Goode” e uma mudança de acorde maior para menor baladeira no final do refrão acompanhando uma bateria monolítica mas irradiada de descontrolo hormonal. É o tipo de banda tão ‘naturalmente dentro da coisa’, que faz qualquer gajo que faça garage rock desta década parecer aborrecido (e provavelmente é).

Isto é tão explosivo que chega quase a picos emocionais de uma banda de post-hardcore e transmite o sentimento juvenil que cervejas vão voar que o bar vai ser todo partido antes do tema acabar.

Ya… faz-me sentir jovem. Acho que é isso.
Então e com vocês, está tudo bem?