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#QuemPensa é Jonas: playlist para Janeiro – pt. 2/6

#QuemPensa é Jonas: playlist para Janeiro – pt. 2/6

O que ando a ouvir, porquê, o que me diz e porque vocês a devem ouvir e fazer aquilo que eu vos digo até morrerem.


Jonas construiu uma playlist para a CVLTO que irá analisar ao longo dos próximos dias. A playlist completa está disponível aqui.

 

“Mechanical Man”, Charles Manson

“Mechanical Man”, Charles Manson

Numa fase que andava a misturar erva com antidepressivos criei uma obsessão com este cavalheiro.

É normal. É todo o objectivo da personalidade dele.

Uns consideraram-no Jesus Cristo, outros o Anticristo, uns um protótipo para alt-right que dizia muitas vezes a palavra “man”, outros um comum psicopata com a particularidade de se dar com “a malta dos ácidos”.

Eu considero que ele é tudo o que dizem sobre ele e era um excelente “inventor” de canções.

Nada mais assustador neste tema que ele a falar sobre a mecanização do ser humano enquanto mecanizava as pessoas à sua volta e isso estar registado no tema com harmonias desafinadas pelo menos a meio-tom criadas pela Susan Atkins, Patricia Krenwinkel, Linda Kasabian e sei lá uns quantos.

A melodia é hipnotizante e transforma o meu cérebro num tornado. Geralmente quando ouço este tema acabo sempre por acordar em cima de uma mulher gravida, com uma faca na mão e ambos cobertos de sangue.

Sinceramente, Charles Manson… saíste-me cá um grandessíssimo parvalhão!

 

“Spiderman In The Flesh”, Country Teasers

“Spiderman In The Flesh”, Country Teasers

Herdeiros da linguagem afiada dos The Fall, o projecto liderado por Ben Wallers levava a “única e verdadeira interpretação do punk rock” para campos mais performativos e, musicalmente, alguma afinidade com o country (nos dias que correm temos os Fat White Family a transformarem isto num género).

Isto é daquelas bandas que são tão “punk” que não sabes se são de extrema-esquerda ou extrema-direita.

São só “politicamente incorrectas”.

Num período em que as pessoas, do pouco que sabiam, absorviam para um período em que, quanto mais se sabe menos se retém, certos artistas tinham o luxo de usar a persiflage de forma segura sem ter que se preocupar com o final da carreira a meio de uma tour. O protótipo de ser humano que as letras dos Country Teasers exploram artisticamente, actualmente, são uma infeliz realidade.

A paródia tornou-se quotidiano pois o ser humano transformou-se no seu próprio avatar. Aqui fica o registo de um tempo em que se podia brincar aos Nazis sem ter que se provar que não se é.

“Girl on Death Row” – Lee Hazlewood c/ Duane Eddy

“Girl on Death Row” – Lee Hazlewood c/ Duane Eddy

Fui pesquisar e, pelos vistos, o Lee Hazlewood produzia as cenas iniciais do “Rei do Twang”. Fixe. Grande cena.

Imagino isto na banda sonora de um filme qualquer de vingança do Tantarino (há quem diga Tarantino, eu prefiro dizer “Tantarino”).

Uma história de uma mulher que é julgada injustamente pela morte de outrem, cantada por Lee Hazlewood num timbrezito mais agudo que aquilo que um gajo estava à espera.

Pode ser “música de velho” mas todos podemos relacionar-nos com uma mulher à espera de morrer injustamente visto que os “baby boomers” arruinaram a nossa existência para sempre. 🙂

Lá mais para o fim temos a guitarra do Duane Eddy a absorver a mistura toda como se fosse a própria morte a consumir a mulher (os seus picos de pânico transmudados em arranjos de cordas belíssimos que me fazem ficar revoltado com a existência do techno).

 

As próximas cinco partes desta playlist de Jonas serão publicadas em www.cvlto.pt ao longo dos próximos dias.