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#QuemPensa é Jonas: playlist para Janeiro – pt. 1/6

#QuemPensa é Jonas: playlist para Janeiro – pt. 1/6

O que ando a ouvir, porquê, o que me diz e porque vocês a devem ouvir e fazer aquilo que eu vos digo até morrerem.


Jonas construiu uma playlist para a CVLTO que irá analisar ao longo dos próximos dias. A playlist completa está disponível aqui.

 

Olá! O meu nome é João Gomes Martins. A minha alcunha desde os 5 anos é Jonas. O meu nome artístico é Father Jon Misery. Gosto de desenhar. Tirei um curso de cinema. Sou músico.

Na melodia está a alma, no ritmo está o corpo.

O meu projecto pessoal chama-se Summer of Hate. Também toco nos Japanese Girl e com quem me convidar como colaborador para todo o tipo de coisas esquisitas e minimamente taciturnas.

Gosto de texturas, melodias e artefactos sonoros. Não gosto de coisas apenas rítmicas. Na melodia está a alma, no ritmo está o corpo. O corpo faz cocó (muitas vezes no peito de jogadores de futebol e políticos em troca de dinheiro para cocaína). A alma não. Vamos trabalhar na alma, ok?

Para começar a minha afiliação à CVLTO a quem eu, desde já, agradeço por me levar a sério por ser quase deficiente mental, vou começar, inicialmente, por vos fazer uma playlist eclética do que ando a ouvir nos dias que correm e, nos próximos meses, passarão a ser temáticas.

O que ando a ouvir, porquê, o que me diz e porque vocês a devem ouvir e fazer aquilo que eu vos digo até morrerem.

 

“Nieves de Enero”, Chalino Sanchez

“Nieves de Enero”, Chalino Sanchez
Escolhi este tema porque estamos em Janeiro. Entre outras razões. Se calhar é melhor dizê-las, não?

Sim.

Descobri este gajo através do Ariel Pink. Eu e o Ariel Pink somos grandes amigos, ex-colegas de trabalho (estávamos encarregues de masturbar analmente os kangurus no Jardim Zoológico de Lisboa e cuspir-lhes na boca para mostrar ao Director do Jardim Zoológico de Lisboa como é masturbar analmente um kanguru e cuspir-lhe na boca).

A história de vida do Chalino Sanchez é muito engraçada! Quando era criança, em Sanalona, um rufia violou a sua irmã, de 15 anos, e ele foi ter com ele no meio de uma festa e encheu o cavalheiro de balas! Curiosamente, ao mesmo, teve que sair da cidade (sabe-se lá porquê!) e foi viver para Los Angeles.

Após uma curta carreira no narcotráfico e tráfico de seres humanos, a meio dos anos 80, decide escrever o seu primeiro ‘corrido’ (pequenos poemas e temas de baile que contavam histórias sobre pessoas) que, no caso do Chalino, se chamariam de ‘narcocorridos’ pois, durante o resto da sua vida, seria conhecido por escrever música a encomenda para e sobre traficantes de droga sul-americanos.

Não sabia cantar tão bem como apertar o gatilho, mas isso não interessa.

Aliás, só torna a música de Chalino Sanchez mais punk rock que qualquer outra coisa que ande por aí. No ano de 1992, em Coachella, um mecânico sobe ao palco e deu um tiro daqueles “pum, pum” no Chalino na parte de lado do corpo. O Chalino saca da pistola dele e dá um tiro na boca do senhor que lhe tinha dado um tiro há bocadinho e matou mais umas outras pessoas sem querer.

Aquilo apareceu na ABC News e o Chalino ficou um bocado “oops, sabem onde eu estou agora!” e, quatro meses depois, aparece morto num canal de irrigação perto da autoestrada à saída de Culíacan com dois tiros na nuca. A família dele não tem os direitos do que ele produziu, entretanto.

Que cena estrambólica!

“De Plata”, Rosalía

“De Plata”, Rosalía

De vez em quando gosto de ouvir o que o “pessoal baril” que usa calças de ganga, boné, óculos de sol e que gosta de desportos radicais anda a ouvir.

Gosto deste disco da Rosalía porque não costumo ouvir cantigas flamencas muito frequentemente e isto pareceu-me uma ponte de fácil acesso e porque só tem uma guitarra e voz.

Claro que a senhora eventualmente foi trabalhar com o El Guincho e já está a entrar na pista de dança mas gosto deste registo simples da voz dela e uma guitarra que a acompanha perfeitamente e ambas as forças criam texturas super floridas com a ajuda do vibrato dela em temas que desconstroem o próprio flamenco.

Gosto dos slides de guitarra e da tensão criada pela voz dela que nos remetem para um chamamento de sereia num deserto e a entrega absoluta a uma morte assistida.

 

As próximas seis partes desta playlist de Jonas serão publicadas em www.cvlto.pt ao longo dos próximos dias.

1 Comment

  1. […] cujo perfil na Wikipedia tem cerca de 53 membros (um deles o Ariel Pink…sim, esse Ariel Pink! O que masturbava analmente cangurus comigo no Jardim Zoológico de Lisboa!). Este gajo foi das primeiras pessoas a utilizarem a pastiche na música psicadélica (de cariz […]