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#ComoFoi Borf, VÜRMO, BAL e BAD!

#ComoFoi Borf, VÜRMO, BAL e BAD!

Sabem como é que se recebe os primeiros dias de Primavera? Com sangue a correr. Foi isso que a Corrosion Bookings nos ofereceu no passado dia 9 de Março, com um concerto a muitos braços, no berço do costume, o nosso Barracuda - Clube de Roque.


Inauguram-se as hostilidades com os já familiares BORF, sobre que escrevemos em Janeiro passado. Talvez por estarem a tocar rodeados de tantos e tão bons amigos, sentimos os BORF mais em casa que em Santo Tirso. Continuam igualmente violentos, mas não é uma violência gratuita, é uma violência cheia de raiva, e bem direccionada.

Com o cabo do microfone a funcionar quase como uma corrente no pescoço do vocalista, vê-se bem o animal que se quer soltar.

BORF tem disto: dá para a malta do beatdown, como dá para a malta do grind, dando espaço para um riffzinho maroto assim à groove metal.

Logo de seguida sobem os nossos amigos VÜRMO. Confessa esta vossa repórter que as expectativas estavam altíssimas depois do caos que nos apresentaram na passada FILHA DA CVLTO, no Maus Hábitos, a 28 de Dezembro.

O que se pode dizer é que o padrinho Lemmy ficaria orgulhoso.

VÜRMO é quase um super grupo: com elementos de VAI-TE FODER, Dokuga, Midnight Priest, e Estado de Sítio, está montada a receita perfeita para o caos absoluto.

Demorou um nadinha até que a malta se soltasse, mas assim que estalou, estalou mesmo, para as cabeças a sacudir darem lugar ao moshpit mais divertido do Porto. Tal foi a diversão que uma pobre vítima caiu do crowdsurf como um salmão cai ao rio.

No fim do concerto, e depois de uma cover dos lendários Motornöise, até a condensação se via a saltar dos pratos.

Depois da boa jinga que foi VÜRMO, temos Back Alley Lobotomy. Não tenho memória de um concerto de grind tão longo, mas, oh, tudo a favor. É grind, mas, como VÜRMO, tem jinga.

Grunhem sem o menor esforço para articular uma boa dicção, mas quem quer ouvir letras bonitinhas não ouve Back Alley Lobotomy, ouve Diana Krall.

É grind de fazer sangrar o ouvido.

Para quem nunca mandou crack, nem tem interesse (como esta vossa repórter), ouviu-se dizer pela plateia que isto é o mais próximo que há de uma moca de crak, mas em música.

Dos grunhidos selvagens ao baixo com tanta distorção que já nem parece um instrumento, Back Alley Lobotomy tocam um grind divertido mas com mau feitio. Como se quer.

Para fechar a noite, sobem BAD!, os trouble boys das Caldas da Rainha. De máscara e balaclava, e acima de tudo muita energia em build up, tocam um hardcore clássico – quiçá como uns Mad Ball da era millenial – com voz que parece fazer homenagem a SPAZZ.

O público estava absolutamente ao rubro, com gente no crowdsurfing como peixes no rio, punhos a voar, e gente a acotovelar-se pelo microfone. As letras são sabidas e cantadas de coração. Como o hardcore se quer.

No fim da noite, havia manchas de sangue mais ou menos por todo o lado. Diz que até hoje ainda não se percebeu muito bem qual era a origem. Mas o que se sabe, é que se um concerto punk acaba com gente a arfar de feliz e a perguntar “oi, mas quem é que está a sangrar?!”, então acabou bem.

 

Texto e fotografias de BAD!: Zita Bacelar Moura
Fotografias de BORF, VÜRMO e BAL: Mar