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#Como Foi Carne Doce no Gretua

#Como Foi Carne Doce no Gretua

O concerto de Carne Doce já havia começado e a voz poderosa de Salma Jô ecoava pelas paredes da sala do GrETUA, em Aveiro. Estávamos atrasados. Apesar disso, certo é que esta seria uma das noites mais longas. Os relógios atrasaram uma hora, às duas passou a ser uma da manhã, e a bem verdade também nós nos perdemos no tempo quando demos de caras com uma das bandas de indie rock do momento no Brasil.

Carne Doce estreou-se em solo nacional com a tour de apresentação do seu mais recente álbum Tônus, o terceiro disco de originais lançado em junho de 2018. O último concerto aconteceu em Aveiro, no passado dia 26 de outubro, e o aproximar do fim deixou alguma melancolia, admitiu a vocalista nas primeiras palavras que dirigiu ao público.

 

Sala praticamente cheia para ver e ouvir a banda goiana que mergulha sem medos no rock e nas suas vertentes, do experimental ao psicadélico, passando pelo progressivo e até mesmo pelo funk. Uma união perfeita quando juntamos uma das mulheres que melhor canta e interpreta a vulnerabilidade das relações. Salma Jô prima pela sua inconfundível voz e expressividade em palco. E ninguém lhe fica indiferente. Ela sabe o que fazer com o corpo e com as mãos, ela explode sob o efeito da luz numa performance arrebatadora.

As dez faixas de Tônus são uma viagem pelo universo íntimo de um casal. Disco safado, na forma como retrata, sem rodeios, o amor. E não apaga a luz/ E nem fecha a porta/ E vamo descobrir o que me excita/ O que te excita/ E o que fazer para ser mais foda, ouve-se em Amor Distrai (Durim). Um dos singles do disco foi, talvez, a música mais conhecida do público, quando se ouviu o refrão em uníssono e sem rodeios Porque eu só gozo assim/ em alto e bom som.

Destaque ainda para as icónicas Comida Amarga, Tônus e Besta que fizeram vibrar os presentes, tanto pela sensualidade e entrega da vocalista como pelas guitarras irrequietas e de um instrumental irrepreensível que se fizeram ouvir durante uma hora de concerto. Ainda ouve tempo para uma passagem por Artemísia, single de apresentação do álbum Princesa, o segundo disco da banda, que fala sobre o aborto e o direto de escolha da mulher. “Não vai nascer/ Porque eu não quero foi o som da liberdade que deixou um arrepio a quem o escutou.

No final, também nós nos sentimos melancólicos por não sabermos para quando o regresso. Este outono, Portugal ficou a conhecer Carne Doce e no GrETUA ouviu-se rock explosivo e dançante. Ficamos a aguardar, ansiosos, pelo quarto álbum.

Texto de Joana Rato
Fotografias de Joana Magalhães